Moradores de seringal denunciam crime ambiental causado por empresa

Três moradores do seringal São Bernardo, em Rio Branco, assinam uma nota contra os danos ambientais causados no Riozinho do Rola pelo manejo de madeira da empresa Triunfo.

madeira1Auxiliados por ativistas da igreja católica, os moradores tentam uma reunião na manhã desta quarta-feira (28), em Rio Branco, com a presença de representantes do Ministério Público Estadual e de órgãos dos governos estadual e federal da área de meio ambiente.

A madeireira Triunfo se instalou no Acre em 2004 incentivada pelo “governo da floresta”. Ela beneficia madeira para exportação, principalmente para Europa e China. O então governador Jorge Viana (PT), atualmente senador, à época disse que estava interessado em qualidade e não em quantidade.

– Esta é uma empresa que tem tradição na indústria florestal racional e é isso que nós queremos no Acre: empresas que trabalhem com qualidade e com madeiras certificadas. Isso é a garantia de que teremos nossas florestas preservadas. O que queremos é acabar com a garimpagem de madeira no Acre – assinalou Viana.

Nota

“Agonia da Bacia do Riozinho do Rola”

“Nós, moradores das colocacões Centrinho, Catuaba e Cambito, no seringal São Bernardo, em Rio Branco, denunciamos à opinião pública do Acre e do Brasil o que a natureza vem sofrendo em nossa comunidade.

O manejo da Madeireira Triunfo que se instalou no seringal São Bernardo tem causado vários problemas: fuga da caça, obstrução de mananciais e das estradas de seringa e castanhais.

Um dos problemas mais graves é a obstrução de grandes igarapés, como o Vai-se-Ver e o Riozinho do Rola.

madeira4Todas as intervenções do manejo da Madeireira Triunfo causam fuga e mortandade de peixes, comprometendo não só o nosso transporte como também uma de nossas fontes de alimentação, além de um grande dano ambiental para nossa comunidade e para o planeta.

Quando as máquinas abriram os ramais para escoar a madeira, os entulhos de árvores mortas e barro foram jogados às margens dos ramais, impedindo a passagem para nossas estradas de seringas e castanhas.

O barulho das máquinas afugenta a caça e isso tem influência em nossa renda familiar, comprometendo a nossa sobrevivência.

A poeira causada pelo transporte de madeira fez aumentar o numero de crianças com doenças respiratórias, pondo em risco a vida de nossos filhos.

O manejo da Madeireira Triunfo não respeita sequer acordos firmados. O posseiro Manuel Careca, morador há mais de 15 anos na colocação Cambito, não aceitou a abertura de um ramal dentro de sua colocação, mesmo assim o ramal foi aberto e o transporte de madeira é feito passando no terreiro de sua casa.

Todos sabemos que a Bacia do Riozinho do Rola, que está sendo alvo de tantos crimes ambientais, é importante também para a zona urbana de Rio Branco, a capital do Acre.

madeira2O Riozinho do Rola é o principal afluente do Rio Acre, que é a fonte de onde o município de Rio Branco retira toda água para consumo da população. O dano causado a esta bacia também influencia de forma direta quem vive em Rio Branco.

As fotos provam a nossa denúncia.

Por todos estes motivos, pedimos socorro aos órgãos governamentais da área de meio ambiente, direitos humanos, conflitos agrários, instituições de pesquisa e sociedade como um todo.

Este problema não é só da nossa comunidade. É também do nosso município de Rio Branco, do nosso Acre e do nosso Brasil.

Para dar legitimidade a esta denúncia, assinamos este documento.

Antônio Pereira dos Santos (Sulino), morador da colocação Catuaba e Presidente da Associação de Seringueiros do Vai-se-ver

João Manuel de Lima(Careca), morador da colocação Cambito

Antonio Evangelista da Silva, morador da colocação Centrinho”