Jorge denuncia ‘máfia do futebol’ e diz que MP prejudicou o futebol do Acre

O senador Jorge Viana denunciou nesta quarta-feira, 26, da tribuna, a existência de uma “máfia do futebol” ao afirmar que qualquer prefeitura, clube ou governo que recorrer à Justiça para procurar justiça é excluído do campeonato de sua série, como ocorreu com o Rio Branco Futebol Clube. Segundo ele, comportamentos como esse mostram a existência de uma máfia no futebol e de dirigentes que não querem a justiça comum perto deles.

jorgevianaafc325474077a4ee186dcbba5fe873c2f-20111026Jorge afirmou ainda ser necessária a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito no Congresso para “apurar e retirar das mãos desses “proprietários” o futebol brasileiro. O senador lamentou também a atitude da CBF no caso e lembrou que toda essa situação foi gerada pela intransigência de uma integrante do Ministério Público do Estado que, por excesso de zelo constitucional, colocou o futebol acriano na situação atual.

Conforme afirmou, trata-se de um mau exemplo do Ministério Público, que beirou a irresponsabilidade, afetou uma das paixões nacionais e fez com que houvesse uma ação, por parte da Federação Brasileira de Futebol, que prejudicou o Rio Branco.

Estrelão disiste de ação

O senador Anibal Diniz (PT-AC) anunciou nesta quarta-feira (26), em Plenário, a realização de acordo entre o Rio Branco Football Club, do Acre, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O time acreano desistiu de ação na justiça por meio da qual tentava se manter no Campeonato Brasileiro da Série C.

– O Rio Branco é um time pobre e não tem condição de manter um litígio. Ainda que tenha todos os direitos e a justiça a seu favor, o time achou por bem fazer um acordo e se submeter a esse acordo, ainda que seja em seu prejuízo – lamentou o senador.

A disputa começou quando o Ministério Público do Acre propôs a interdição do estádio Arena da Floresta. Para garantir a realização dos jogos, o governo do estado recorreu à justiça comum e foi punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por não haver, antes, esgotado as instâncias possíveis na justiça desportiva. A pena foi a exclusão da Série C.

Desde então, o time conseguiu se manter com liminares na competição, que acabou sendo paralisada pela Justiça na última semana. Mesmo tendo obtido sucesso com as liminares, o clube temia de novas represálias da justiça desportiva, que poderiam levar à suspensão do time das competições da CBF.

Para Anibal Diniz, o Rio Branco foi vítima de injustiça por parte do STJD, já que o assunto que o levou a recorrer à justiça comum não se relacionava a assunto disciplinar. De acordo com a Constituição Federal, o Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições de esporte após esse esgotamento.

– Tivemos de recorrer à Justiça Comum para garantir que o Rio Branco pudesse jogar naquela arena. Portanto, não se tratava de assunto disciplinar que ferisse a Justiça Desportiva – alegou.

O senador recebeu o apoio do colega Jorge Viana (PT-AC), que considerou intransigente a atitude da promotora de Justiça de Defesa do Consumidor de Rio Branco Alessandra Marques, responsável pela ação que resultou na interdição do estádio.

Já o senador Pedro Taques (PDT-MT) disse considerar que o time feriu a Constituição ao recorrer à Justiça comum. O senador afirmou que o Luverdense, time de seu estado, foi corretamente beneficiado com a decisão do STJD. Com a saída do Rio Branco, o time mato-grossense, que havia sido eliminado na primeira fase da competição, deve voltar à disputa.