Senador Jorge Viana exige recursos e diz que enchente em RO ‘não tem nada a ver com hidrelétrica’

A cheia do Rio Madeira, que deixa milhares de ribeirinhos do Acre e Rondônia em situação crítica, com problemas de abastecimento e até isolamento motivou, novamente, o pronunciamento do senador Jorge Viana (PT) nesta quinta-feira (20). O nível do rio Madeira, que corta os dois estados, está quase 18 metros acima do normal. É a pior cheia em 100 anos.

Ele pediu ao Governo Federal o apoio para que sejam enviadas equipes da Defesa Civil, Ministério da Integração Nacional e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A ideia é verificar in loco a situação das famílias que estão isoladas e as condições das estradas da região.

Viana lembrou que na principal ligação dos estados com o restante do País, a BR 364, a lâmina d’água sobre a rodovia já chega a 50 centímetros. Segundo informações de autoridades da região, 800 metros da BR 364 estão submersos em dois pontos distintos, tornando a travessia possível apenas por caminhões e carretas – e de forma lenta. Empresas de ônibus cancelaram as viagens e há risco de desabastecimento de combustível. Mais de 2.000 famílias estão desabrigadas nas capitais Rio Branco e Porto Velho.

O nível do rio Acre chegou a 14,5 metros, afetando as cidades de Assis Brasil, Brasileira e Xapuri. Os abrigos receberam 70 famílias. O Rio Iaco, em Sena Madureira, também transbordou. A enchente afetou o município de Tarauacá.

No Amazonas, a cheia dos rios causou estragos na região do Alto Juruá. Em Boca do Acre, há 400 famílias desabrigadas e mais de 3.000 foram afetadas. O coronel Roberto Rocha, secretário executivo de Proteção e Defesa Civil do estado, informou que o socorro a quem vive na zona rural é demorado por causa da dificuldade de acesso. Segundo ele, são mais de três dias de barco para chegar às comunidades mais isoladas.

Hidrelétricas

Jorge Viana esclareceu que a enchente recorde não tem qualquer relação com o fato de haver duas usinas hidrelétricas no Rio Madeira. “Vale lembrar que Porto Velho está abaixo das usinas e nós temos mais de mil famílias desabrigadas na cidade”, esclareceu.  Ele explicou que a cheia tem relação direta com o acúmulo violento de água vindo da Bolívia, do Peru e dos Andes. “Os rios que formam o nosso Rio Madeira colhem água de regiões em que chove muito e as chuvas são concentradas”, disse.

Outra reivindicação de Jorge Viana foi a de maiores investimentos em políticas de prevenção, capazes de reduzir os danos causados às famílias ribeirinhas. Hoje, segundo ele, mais de 1,3 mil famílias sofrem diretamente os efeitos de uma das maiores cheias que já atingiram a região.

Nessa quarta-feira (19), Viana já havia solicitado em plenário aos ministros Fernando Teixeira e general Adriano Júnior, da Integração Nacional e da Secretaria Nacional de Defesa Civil, respectivamente, a liberação de recursos para que seja dada sequência à política habitacional do estado, que visa à retirada de moradias de áreas de risco na capital acreana.

“Solicitamos 9 milhões de reais para que tanto a Prefeitura de Rio Branco, como o governador Tião Viana possam dar sequência a uma política de apoio, uma política séria que está sendo implementada em Rio Branco, onde o número de atingidos é sempre maior com as cheias do Rio Acre”, apontou.

“Faço a solicitação de que os recursos sejam liberados o mais breve possível para que o programa de retirada de famílias de forma definitiva das áreas baixas possa acontecer”, concluiu.

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