Economista PhD do Reino Unido: Iniciativa privada do Brasil é privada de iniciativa (v)

Pode rir.

Ela disse isso mesmo.

Com outras palavras, é claro.

J R Braña B.

 

Para a PhD Mariana Mazzucato, o Brasil tem que chamar o setor privado à frente. “As empresas brasileiras fizeram pouquíssimos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Há muita inércia. Então, em vez de ficarem focando nos problemas do setor público vocês deveriam provocar o setor privado”, defendeu a PhD

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A economista e PhD Mariana Mazzucato, professora de Economia da Inovação da Science Policy Research Unit (SPRU), da Universidade de Sussex, no Reino Unido, disse que o setor privado brasileiro precisa de mais pesquisa e desenvolvimento para ser mais competitivo. Para ela, o Brasil precisa chamar o setor privado à frente, para participar de fato do jogo econômico.

Para a PhD Mariana Mazzucato, o Brasil tem que chamar o setor privado à frente. “As empresas brasileiras fizeram pouquíssimos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Há muita inércia. Então, em vez de ficarem focando nos problemas do setor público vocês deveriam provocar o setor privado”, defendeu a PhD. Foto: Agência Brasil

Mariana esteve na tarde desta sexta-feira (15) no Palácio do Planalto, onde conversou sobre como o País pode alcançar um crescimento sustentável, de longo prazo, e não apenas ter estratégias de curto prazo.

“Não se pode permitir que o setor privado determine as regras e fique apenas reclamando da burocracia, dos impostos. Você tem que chamar o setor privado à frente, para participar do jogo. As empresas brasileiras fizeram pouquíssimos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Há muita inércia. Então, em vez de ficarem sempre focando em todos os problemas do setor público, vocês deveriam provocar o setor privado e apenas assim será possível realizar parcerias público-privadas sérias”, afirmou, em entrevista após o encontro.

Mariana Mazzucato elogiou a presidenta Dilma Rousseff, afirmando que ela falou com inacreditável conhecimento sobre transição verde, energias renováveis e não-renováveis e os desafios desse setor, tanto em infraestrutura quanto, especialmente, em inovação. “Para ser honesta, nunca tive uma conversa tão esclarecedora sobre inovação nesse setor, em particular, em tão alto nível. Então, vocês têm sorte”.

Por outro lado, o País atravessa um período desafiador, em que existe muita propaganda colocando a culpa no setor público. E o investimento está seriamente recuando, alertou. “Isso, na verdade, requer uma presidenta confiante, que possa ter orgulho de seu legado, que admite os problemas, que reforme alguns órgãos públicos e a relação com o setor privado”, disse. “Mas a última coisa é recuar. Para o País ter um papel inteligente, inovação e crescimento, se você recuar, estará fora do cenário. Você não será competitivo em nenhum setor”.

A professora Mazzucato é reconhecida internacionalmente por sua obra “O Estado empreendedor – desmascarando o mito do setor público vs. setor privado”. O livro debate o papel do Estado e contesta a noção de um mercado autorregulador, teoria que, segundo ela, é desmentida pelos exemplos históricos da origem do mercado e de seu desempenho nos séculos passados.

A falsa questão Estado x mercado

Mariana Mazzucato aponta casos de produtos que impactaram o mercado, como o Iphone e o gás de xisto, que têm uma afinidade em comum: todos nasceram de financiamentos estatais ao longo de toda a cadeia produtiva.

Segundo ela, todos aprenderam muito com o que aconteceu no Vale do Silício, área de alto desenvolvimento tecnológico na Califórnia, que a mídia e a história apresenta como sendo tudo resultado apenas do trabalho de pessoas como Steve Jobs e Bill Gates. “Mas, nesta parte do mundo, houve um Estado muito estratégico, onde havia investimentos diretos, com uma visão global do que queriam fazer”, ressalvou ela.

Neste caso, destaca Mariana, o Estado tomou uma direção. “E hoje temos uma ideologia neoliberal, em que o Estado tem que só que facilitar, administrar, regular e depois, sair. Mas, se um País faz isso, não há inovação e não há crescimento de longo prazo”. Porque o Estado tem sempre criado o mercado”.

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