Senador Jorge Viana defende Petrobras e ironiza gestão tucana que queria privatizar empresa

O papel da Petrobras no desenvolvimento do país foi tema de discurso nesta quarta-feira, 13 de março, no Congresso. O vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), subiu ontem à tribuna para cobrar coerência dos tucanos. Ele lembrou que desde a chegada do PT à Presidência da República, a Petrobras quadruplicou seu faturamento e seus investimentos em 10 anos, dobrou seus lucros e o quadro de pessoal (veja quadro abaixo).

jorge_viana“A Petrobras valia US$ 15,5 milhões de dólares em 2002 e hoje vale US$ 126 bilhões”, comparou. “Seu lucro hoje é de R$ 21,18 bilhões, contra R$ 8 bilhões no governo Fernando Henrique”. Em dez anos, as reservas provadas saltaram de 11 bilhões de barris de óleo equivalente para 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente, fora os 15 bilhões de barris estimados na área do pré-sal. “O presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva) acertou ao apostar na Petrobras”, afirmou.

O senador disse que os tucanos cometeram muitos equívocos quando estavam no poder, desde a tentativa de privatizar a estatal até a gestão catastrófica que gerou prejuízos para o país. Jorge Viana mostrou o memorando do governo brasileiro para o FMI, de 8 de agosto de 1999, onde Fernando Henrique esboçava plano de privatização parcial do Banco do Brasil, da Caixa e da Petrobras, e a privatização integral de Furnas. “Queriam vender a Petrobras e agora falam em reestatizar a empresa”, questionou.

“O passado do PSDB à frente da Petrobras não é bonito”, criticou o petista, ironizando a “gestão técnica” dos tucanos na empresa. “O país assistiu em 2001 ao maior desastre da história da Petrobras, com a morte de 11 funcionários da estatal e o afundamento da plataforma P-36”, disse. “Um prejuízo de R$ 1,5 bilhão para o país”.

Na terça-feira, o PSDB realizou em Brasília o seminário “Recuperar a Petrobras é nosso desafio”, apontando o que seriam graves problemas de gestão da estatal. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) chegou a falar em “reestatizar a Petrobras”, que estaria “partidarizada excessivamente” pelo PT. Aécio esteve antes de Viana na tribuna e reiterou as críticas à presidenta Dilma Rousseff.

“Os tucanos falam do passado recente da Petrobras, sob a gestão do PT, mas nenhum comenta a experiência do PSDB na Petrobras”, acusou Viana. “Aécio fala em reestatizar a Petrobras. Reestatizar? No governo FH a palavra de ordem era privatizar!” Em aparte, o líder do PT, Wellington Dias (PI), advertiu para o estranho jogo de interesses nas críticas feitas aos investimentos promovidos nos últimos anos pela estatal. “A forma é como se pudessem enganar a maioria do povo brasileiro”, disse.

Adversários

Jorge Viana defendeu a gestão de Graça Foster e seus antecessores, José Gabrielli e José Eduardo Dutra, e criticou duramente os adversários. “A Petrobras quase passou a ser chamada de Petrobrax no segundo governo de Fernando Henrique”, disse. “Há 12 anos, o país viu a uma das piores gestões da nossa estatal”. Ele comentou que, entre 1998 e 2001, 86 trabalhadores da Petrobras morreram vítimas de acidentes em plataformas de petróleo. Em 2002, outros dois acidentes mataram cinco operários.

“Em menos de 48 horas, no Natal de 2000, a Petrobras perdeu a letra S, virou PetroBrax e voltou a ter o seu nome original de batismo. Foram gastos nada menos que R$ 2,3 milhões. Isso é gestão técnica?” O petista comentou que o governo tucano só recuou da idéia de privatizar a estatal por causa da pressão popular.

Jorge Viana lamentou, ainda, que apenas em 2001, o país assistiu a quatro acidentes da Petrobras na Bacia de Campos, na região norte do Estado do Rio. O mais trágico aconteceu na madrugada de 15 de março daquele ano, quando ocorreram três explosões sucessivas em um tanque de óleo e gás da plataforma P-36, instalada no Campo do Roncador, no litoral norte fluminense.

Na época, a empresa chegou a montar uma megaoperação de resgate da plataforma, mas não teve sucesso: cinco dias depois, a estrutura de 40 mil toneladas afundou do mar. “A P-36 era a maior e a mais avançada plataforma semi-submersível do mundo”, observou. “Essa era a gestão técnica?” O custo da P-36 foi de R$ 750 milhões.

Segundo o senador petista, na época “da gestão técnica do PSDB”, a ordem era enxugar o quadro de pessoal, prática continuada e imposta pelos sucessivos governos à Petrobras desde o início dos anos 90. “Dos 60 mil funcionários que a empresa tinha em 1990, restavam em 2001 apenas 34.100”, destacou Viana. “Em 2013, na gestão da presidente Graça Foster, a Petrobras tem 85 mil funcionários”.

“Estranho quando o PSDB fala em reestatizar a Petrobras. Não é o que o praticou no governo”, comentou. “Isso mostra as diferenças entre PT e PSDB. O PSDB quebrou o país e recorreu ao FMI. O governo do PT, do presidente Lula, quitou os empréstimos com o FMI”, destacou.

 

Petrobras na gestão tucana e petista

 

2002

2012

Receita

R$ 69,2 bilhões

R$ 281,3 bilhões

Lucro líquido

R$ 8,098 bilhões

R$ 21,18 bilhões

Investimento

R$ 18,9 bilhões

R$ 84,1 bilhões

Valor de mercado

US$ 15,5 bilhões

US$ 126 bilhões

Produção de óleo no Brasil

1,5 milhão de barris/dia

2 milhões de barris/dia

Pessoal

46,6 mil trabalhadores

85 mil trabalhadores

Reservas provadas *

11 bilhões de barris de óleo equivalente

15,7 bilhões de barris de óleo equivalente

Volume de vendas de derivados no Brasil

1,6 milhão de barris/dia

2,285 milhões de barris/dia

* Cálculo exclui 14,5 bilhões de barris estimados no Pré-Sal

Outros dados importantes

PIB                            2002 – US$ 500 bilhões

2012 – US$ 2,6 trilhões


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