‘Senhor X’ (Narciso Mendes) está de volta na mídia nacional


J R Braña B.

O título acima foi sugestão de uma leitora de oestadoacre.com, que me ligou para contar da matéria do DCM

Suspendo minhas duas semanas de folga por alguns minutos nesta quarta porque este assunto merece destaque na imprensa do Acre.

Está no DCM de hoje a primeira  matéria de uma série que o blog vai publicar sobre a compra da reeleição que permitiu que Fernando Henrique Cardoso, PSDB, pudesse ser reeleito presidente da república.

O ‘Senhor X’, que é Narciso Mendes, mas à época Fernando Rodrigues, da Folha, não revelou (no Acre todos sabiam que era Narciso, mas foi o jornalista Palmério Dória que revelou ao Brasil), conta que um deputado do Acre (Ronivon Santiago) contou a ele que vendeu o voto por 200 mil para aprovar a Emenda da Reeleição.

E, pasmem, isso nunca foi escândalo na imprensa, no PiG, na justiça….em lugar nenhum.

Era o mensalão tucano original bombando no governo FHC, o mesmo governo que privatizou a Vale, CSN por ninharia e queria entregar a Petrobras transformando-a em Petrobrax.

Esse governo afundou o Brasil, quebrou três o país e vivia de joelhos para o FMI.

Mas deixo com a matéria do DCM e do repórter Joaquim de Carvalho, embaixo das fotos.

(Cuida do resto aí, Maria Lúcia..tenho mais uma semana de férias.)

senhor x narciso
Narciso Mendes, o ‘Senhor X’: ‘ a imprensa não me procurou’

 

Do DCM

folha ronivon

 

Exclusivo: entrevistamos no Acre o ‘Senhor X’ da reeleição de FHC

Por Joaquim de Carvalho

Em maio de 1997, a Folha de S. Paulo publicou trechos de gravações em que dois deputados confessavam ter vendido o voto para aprovar a emenda à Constituição que permitiu a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.

A autoria das gravações era atribuída ao Senhor X, e a identidade dele permaneceu sigilosa até que o jornalista e escritor Palmério Dória revelou, no livro O Príncipe da Privataria, que se tratava de Narciso Mendes, empresário e político do Acre.

Mesmo com essa revelação, Narciso continuou tocando sua vida em Rio Branco sem ser procurado pela imprensa. É dono do jornal O Rio Branco e de uma afiliada do SBT, entre outras empresas. “Nunca interessou ao sistema que eu fosse ouvido. Nem naquela época, nem agora”, disse o empresário em uma das duas rodadas de entrevistas que já realizamos para nossa série sobre a reeleição de FHC, que será financiada por nossos leitores.

(Aqui, o link para os interessados em contribuir.)

Narciso é um homem magro, que se veste de maneira simples e fuma escondido da esposa, a ex-deputada federal Célia Mendes, preocupada com o infarte que ele sofreu no ano passado. Sobre sua mesa, livros que tratam de política, assunto a que se dedica na teoria, como estudioso da obra de Maquiavel, e na prática.

Somando seus dois mandados – um deles como Constituinte –, e os dois de Célia Mendes, passou dezesseis anos no Congresso Nacional. “Aquilo é um balcão de negócios. Houve compra de votos naquela época e continua havendo hoje. Só uma reforma política para valer impediria que isso ocorresse. Mas ninguém quer reforma política, porque os que estão no jogo ganham com esse sistema”, afirmou.

O que mudou? “Antes o rei era mais protegido”, afirmou. Não fosse protegido, diz ele, teria sido chamado para depor em alguma investigação sobre a compra de votos da reeleição.

Investigação até houve, como a realizada por uma comissão especial da Câmara, “mas não era para valer”. “Todos sabiam quem estava por trás Senhor X, aquilo era um segredo de Polichinelo. Eu nunca neguei. Mas acho que pensaram: deixa o Narciso para lá, quem sabe não temiam o que eu pudesse falar: centenas venderam o voto, não foi só o pessoal do Norte como, preconceituosa e espertamente, o Fernando Henrique Cardoso disse”.

Durante uma das entrevistas, entrou na sala um jovem senador, Gladson Cameli, que havia dado entrevista para o SBT. Gladson combinou um café com Narciso e, depois que ele saiu, Narciso comentou: “O Fernando Henrique disse que até pode ter havido compra de votos, mas, se isso ocorreu, é porque a reeleição interessava aos governadores do Norte. O tio desse senador era na época o governador do Acre (Orleir Cameli, que intermediou a compra do voto de deputados do Estado), mas ele não se candidatou à reeleição. Então, por que fez? Tinha um acordo para entregar ao Fernando Henrique os votos de que ele precisava”.

(Este é um aperitivo para a série de reportagens de Joaquim sobre a emenda da reeleição de FHC.)

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