Uma chance para Jully, que viveu o inferno das drogas

AgGov
Rayele Oliveira

 

O mundo devastador das drogas e a oportunidade da ressocialização

 

“O meio em que eu vivia. O ambiente, as cenas que eu via, tudo o que eu ouvia dentro de casa. A curiosidade que eu tive. Tudo me levou para o mundo da droga muito cedo”, relata Jully Mayko Rocha Cabral.

Ele é um entre os milhares que entraram para as estatísticas de jovens envolvidos com as drogas e a criminalidade. Quando criança, ver os pais consumindo bebida alcóolica e usando entorpecentes era algo comum para ele e os irmãos. Aos 16 anos, experimentou a droga pela primeira vez.

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“Minha mãe nunca desistiu de mim”, declarou o jovem (Foto: Angela Peres/Secom)


A mãe, Maria de Nazaré Coelho, afirma que lutou para se recuperar quando viu os filhos entrarem no mesmo caminho.

“Não tinha paz na minha vida. Meu marido usava droga todo dia, ficava agressivo, magoava meus filhos, até que um dia eles também começaram a usar. Eu chegava em casa, via aquela bebedeira, aquela zona, todo mundo usando droga, aquilo me desesperava, e a única forma que eu achava para ficar no nível deles era fazer do mesmo jeito. Quando me dei conta do mal que a gente estava causando aos nossos filhos, decidi largar aquela vida. Foi difícil, mas eu consegui”, conta, emocionada.

Refém da própria liberdade

Hoje, aos 33 anos, Mayko reconhece que teve muitas oportunidades. Contudo, preferiu conhecer os atalhos, porque cometer delitos lhe parecia um caminho mais curto para conseguir o que queria. Depois de abandonar os estudos, teve todo o tempo livre para, cada vez mais, tornar-se refém do vício.

Por vezes, cometeu roubos e assaltos: “Quando eu assaltava, pensava que estava sendo ‘o cara’ fazendo o mal para as pessoas. Hoje, vejo como fui um covarde”, admite. Há quase seis meses, abandonou as drogas, depois de idas e vindas aos centros de recuperação.

“Hoje eu pago as consequências das minhas escolhas. Sei que podia ter estudado e me dado bem na vida, mas sempre existe o recomeço. Hoje meu filho me vê uma pessoa diferente, minha mulher pode dormir em paz, minha mãe vive tranquila. Quando eu fiquei no fundo do poço, quem dizia que era meu amigo virou as costas, mas essas três pessoas nunca desistiram de mim”, conclui.

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