Le Monde escandaliza o Acre: ‘Reserva Chico Mendes perdeu razão de ser’

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O jornal francês Le Monde enviou o repórter à cidade de Xapuri para ver a quantas andas o processo de destruição acelerado da reserva ambiental Chico Mendes, criada na década de 1990 (muitos acham, equivocadamente, que foi o PT que inventou a reserva).

A reportagem foi postada no Le Monde hoje, às 2h36 da madrugada, e oestadoacre a reproduz:

« Cette réserve a perdu sa raison d’être » : en Amazonie, le rêve brisé d’une forêt durable

 

(‘Essa reserva perdeu a razão de ser’: na Amazônia o sonho despedaçado de uma floresta sustentável)

REPORTAGE/ Symbole de la destruction de cet écosystème majeur, la réserve Chico Mendes, qui devait être un exemple d’exploitation respectueuse de l’environnement, est désormais saccagée par les incendies et la déforestation.

Traduzida o trecho possível (a matéria na íntegra só para assinantes do Le Monde):

Hoje, como quase todos os dias de sua vida, “Bito” foi “sangrar” sua floresta. Levantou às 3 da manhã e lavou o rosto fumê com água fria. Engoliu uma panqueca de tapioca e algumas bananas grelhadas. Pegou sua bolsa, seu balde, sua faca. Calce as botas dele. Ajustou a lanterna com cuidado. E afundou entre as árvores. Sozinho, tão sozinho, na grande noite amazônica.

Sob a copa tropical, Arleudo Morais Farias, seu nome completo, é uma sombra entre as sombras. Rápido e discreto, como o jaguar. Além disso, esta selva pertence a ele tanto quanto ao felino. Ele sabe de cor e a marca de seu traço: um arranhão marrom salpicado de branco, ondulando graciosamente no solo úmido ao longo do tronco da seringueira. A assinatura do seringueiro, trabalhador que coleta látex na Amazônia.

Arleudo Morais Farias, dit « Bito », 43 ans, saigneur d’hévéas, dans la réserve Chico Mendes, au Brésil, le 28 juillet. AVENER PRADO POUR « LE MONDE »
Syringeira é o nome português para borracha. Bito, 43, em tamanho desde criança. “Aprendi tudo com meu pai”, desliza, entre duas sangrias, morador da reserva Chico Mendes, no Acre. Todos os dias, ele tem que visitar cerca de 100 árvores, 15 quilômetros para cobrir terrenos acidentados, muitas vezes no escuro, com 20 kg a 40 kg de látex nos ombros. Os encontros com macacos, antas e panteras são frequentes. "E com cobras, é todo dia! », Ri Bito. 

O látex, essa seiva branca e gordurosa chamada aqui de "leite", flui gota a gota em pequenas xícaras que o trabalhador coleta. Parece tão simples. Mas a seringueira, apesar de ter 30 metros de altura, é um gigante frágil. Deve ser esfolado com cuidado: apenas alguns milímetros. 

“Mais, podemos machucá-la e ele pode até morrer”, diz Bito. O Seringeiro tem um gesto delicado. Um gesto de amor, disse ele. “Essas árvores fazem parte da minha família, são como meus filhos”, sorri o homem da floresta, com “leite” enchendo sua barba e mãos. Arleudo Morais Farias, um dos últimos seringeiros da Amazônia, trabalha na reserva Chico Mendes, no Brasil, no dia 28 de julho. AVENER PRADO PARA "O MUNDO" O mundo antes 

"Gosto disso, gosto desta vida solitária, no meio da natureza", continua no seu regresso, por volta das 15 horas, na sua cabana de madeira sobre palafitas da aldeia de Icuriã. No entanto, apesar das aparências, Bito está preocupado. Já faz alguns anos que os negócios vão mal. 

Sua magra renda caiu quase pela metade. Acima de tudo, Bito tem características marcantes. Ele é mais do que sua idade. “Estou cansado, meu corpo já está muito duro. Seu filho tem 18 anos. Ele será um médico. "Eu não quero essa vida para ele", Bito confessa em uma voz vazia. Você tem 87,69% deste artigo para ler. O resto é apenas para assinantes.

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(….)

Matéria na íntegra no Le Monde para assinantes

Em tempo: quem liga para esse assunto hoje no Acre? Nem o governo…

J R Braña B.