Discurso de Bolsonaro na ONU é uma vergonha (assista)

onubolsonaro

Nem o olhar de Bolsonaro passa confiança às pessoas…

É um olhar desconfiado, que não passa bondade, sentimento…

É um olhar de quem deve alguma coisa…

De um presidente que não é um presidente de verdade.

Bolsonaro diz, um absurdo – que os índios são os responsáveis pelas queimadas da Amazônia

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Bolsonaro envergonha o Brasil na ONU

 

O discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia das Nações Unidas (ONU) foi um festival de afrontas e mentiras. Segundo ele, o Brasil é “vítima” de uma campanha “brutal” de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal, repetindo afirmações absurdas como a de que a floresta amazônica é úmida e só pega fogo nas bordas, e que os responsáveis pelas queimadas são o “índio” e o “caboclo”.

Bolsonaro disse que governo protege os povos indígenas. Outra falácia. O pouco que fez só se efetivou depois de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de uma ação conjunta de entidades que representam os indígenas e partidos políticos.

Disse ainda que o Brasil tem a “melhor legislação” sobre o meio ambiente em todo o mundo e que o país respeita as regras de preservação da natureza. Segundo ele, entidades brasileiras “impatrióticas” se unem a instituições internacionais para prejudicar o país, uma combinação que se explicaria pela cobiça sobre as riquezas da Amazônia.

Os fatos desmentem o discurso. A gestão ambiental do seu governo brasileiro é sabidamente irresponsável, na prática um incentivo ao desmatamento e à proliferação de queimadas, o que tem motivado críticas internas e internacionais, com consequências inclusive econômicas – o país vem perdendo investimentos e até a confirmação do acordo comercial Mercosul-União Europeia chegou a um impasse.

Há um desmonte dos órgãos de fiscalização e até do Ministério do Meio Ambiente, inclusive com baixíssima execução orçamentária. Quanto a legislação ambiental do país, a verdade é que, em parceria com Ricardo Salles, Bolsonaro vem passando o trator, revogando ou mitigando as leis de proteção ao meio ambiente.

A realidade é que existem intensas queimadas no Pantanal e na Amazônia os alertas de desmatamento subiram 34% de agosto de 2019 a julho de 2020, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). São fatos que contradizem a afirmação de Bolsonaro de que seu governo mantém uma postura de “tolerância zero com o crime ambiental”.

Outra falácia foi o de que seu governo concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente mil dólares para 65 milhões de pessoas. No total, o auxílio emergencial vai pagar aos beneficiários cinco parcelas de R$ 600 e quatro de R$ 300. Juntas, elas somam R$ 4.200. Na cotação atual, mil dólares equivalem a mais de R$ 5.400, o que significa que o arredondamento do presidente ignorou cerca de R$ 1.200, ou duas parcelas de R$ 600 do auxílio emergencial. E nem todos os benefíciários receberão as nove parcelas.

Bolsonaro enveredou também pela calúnia ao afirmar que o óleo derramado no litoral brasileiro em 2019 é venezuelano e reafirmou teses irresponsáveis sobre a pandemia, como de que as orientações para que as pessoas ficassem em casa quase levaram o país ao “caos social”. Disse, de maneira cínica, que sempre defendeu ações para preservar a saúde das pessoas e combater os efeitos econômicos da crise.

Não é verdade. Sua atuação sempre foi no sentido de incentivar as pessoas a se exporem à contaminação, pregando contra o isolamento social e a restrição de circulação de pessoas, medidas apontadas pelas autoridades sanitárias de todo o mundo como as mais eficazes contra a propagação da pandemia.

Agiu também para dificultar o auxílio emergencial, o socorro aos estados e municípios e a ajuda às micro, pequenas e médias empresas. No caso do auxílio emergencial, Bolsonaro omitiu que o auxílio só saiu com os valões de R$ 600 e R$ 1.200 por pressão e articulação no Congresso Nacional, uma medida combatida por seu governo.

Outra falácia de Bolsonaro foi seu apelo pelo combate ao que chamou de “cristofobia”, pregando a liberdade religiosa sem mencionar nenhuma outra religião, além do cristianismo. Ao mesmo tempo, declarou apoio ao “plano de paz” do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, para Israel sobre o massacre dos palestinos e classificou o governo da Venezuela de “ditadura bolivariana”.

Essa subserviência ao imperialismo estadunidense e ao governo Donald Trump condiz com a sua irresponsabilidade na condução do governo brasileiro. Contradiz a tradição da diplomacia brasileira, que foi, mais uma vez, desrespeitada pela postura agressiva e submissa de Bolsonaro. O presidente apenas confirmou o que sempre e demonstrou, agora para o mundo: o Brasil sob o seu comando é um país entregue a interesses alheios aos do povo. Além de envergonhar a nação brasileira, mostrou que não tem nenhuma responsabilidade com os princípios que jurou defender ao tomar posse.

(vermelho)