Crônica de Dandão: Um homem sensato

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Um homem sensato

 

Francisco Dandão – Wilmar Roldán, árbitro colombiano que apitou o jogo dessa quinta-feira (27) entre as seleções do Equador e do Brasil, pelas eliminatórias da Copa do Mundo do Catar, foi crucificado pela imprensa e pelos torcedores nas redes sociais, tão logo o empate em um a um foi dado como definitivo.

Tudo porque Roldán voltou atrás em várias marcações, depois de alertado dos seus erros pelo sistema do VAR. O fato é que ele marcava alguma irregularidade que havia visto no decorrer do confronto e, em seguida, ao ser alertado pelo vigilante eletrônico, desconsiderava a decisão.

Somente o goleiro Alisson, do time brasileiro, foi expulso duas vezes. E duas vezes também foi devidamente “perdoado”. Em ambos os lances, Alisson atingiu de forma um tanto violenta jogadores adversários. A questão é que Alisson só os atingiu depois de ter acertado a bola, objeto de culto.

Roldán, em gestos ostensivos, levantava o cartão vermelho acima da cabeça e à vista de todo o estádio. Ato contínuo: depois de chamado ao monitor de televisão, ao lado do campo, voltava um tanto cabisbaixo para onde estava o goleiro e fazia um gesto discreto de anulação da punição.

Houve até um pênalti marcado e desmarcado contra o time brasileiro. Numa fração de segundos, dentro da área do Brasil, dois pés se chocaram (um brasileiro e um equatoriano). Wilmar Roldán apitou e apontou para a marca fatal. No frigir dos ovos foi o equatoriano que atingiu o brasileiro.

Aí já viu como é, né? Foi pancada de todo lado no lombo do árbitro colombiano. A mídia, muitas vezes à procura de algum vilão, desceu o porrete. E a galera, sei lá se na onda dos críticos abalizados (ou não), embarcou na onda e só não chamou Sua Excelência de santo e inocente.

Pois eu lhes digo: Roldán, no meu entender, pelas suas atitudes na direção desse jogo entre Equador e Brasil, se comportou da maneira mais sensata possível. Em vez de errar e permanecer no erro, não teve o pudor de dar o braço a torcer e de reconhecer que as decisões não eram as mais justas.

É preciso levar em conta que o VAR não tem o poder de mudar a marcação do árbitro no campo de jogo. Sua Senhoria ali dentro das quatro linhas é soberana. Os operadores do VAR apenas sugerem que alguma decisão pode estar equivocada. Mas o árbitro acata a sugestão se quiser.

Mudando de pau pra cacete, como seria bom se os psicopatas e negacionistas brasileiros investidos de poder seguissem o exemplo do árbitro Wilmar Roldán e mudassem suas atitudes a respeito de determinadas decisões e cloroquinas. Certamente muitas vidas ainda poderiam ser salvas!

Francisco Dandão – jornalista, cronista, escritor, compositor, poeta e tricolor