R$ 10 mi em pólo oleoquímico no Juruá

O secretário de Indústria e Comércio, Edvaldo Magalhães, visitou a usina de extração óleos vegetais situada na comunidade Nova Cintra no município de Rodrigues Alves e anunciou investimentos do governo do Estado.

edvaldodsc_0246401A Sociedade Agrícola Nova Cintra, que toca a usina, vai formalizar convênio no valor aproximado de R$ 200 mil para construir mais um galpão, mais uma estufa e receber ajuda para comprar um caminhão. A usina extrai óleo de murmuru, palmeira abundante no vale do Juruá, destinado à indústria de cosméticos e exporta para São Paulo.

Edvaldo também anunciou a instalação de um pólo oleoquímico em Cruzeiro do Sul com recursos do BNDES no valor de R$ 10 milhões, o que vai expandir a extração de óleos para outras palmeiras como buriti e cocão além de cupuaçu e andiroba.

A instalação da usina começou em 2006, através de convênio entre a Funtac e Eletronorte e em 2007 sua estrutura ficou pronta.  

Em 2008 foi adquirida a primeira safra de murmuru. A usina foi projetada inicialmente para a pesquisa e produção de óleos apropriados à fabricação de biodiesel, mas devido à inviabilidade econômica, a produção foi redirecionada para a indústria de cosméticos. Em 2010, a usina foi cedida à Sociedade Agrícola Nova Cintra que tem contrato de fornecimento do óleo produzido com a Empresa Juruá Eco Extrativismo, que exporta a produção para São Paulo.

Muitos beneficiados

A usina compra coco murmuru dos ribeirinhos ao longo do Rio Juruá, desde a Praia da Amizade, no município de Rodrigues Alves, até o Projeto de Assentamento Vitória, já em Porto Walter. São cerca de 800 coletores cadastrados, mas 300 efetivamente fornecendo o produto de sua coleta para a usina. Em 2011, a coleta estimada é de quatro mil sacas, o que resulta em 12 toneladas de óleo. Cada saca é adquirida por R$ 14 o que significa uma renda adicional aos ribeirinhos cuja atividade principal é a agricultura.

Segundo o presidente da Sociedade Agrícola Nova Cintra, Roberto Guevara, somente na região onde ocorre a coleta, a quantidade de coco pode ser dobrada passando para oito mil sacas, mas o objetivo da sociedade é subir o Juruá, expandir a coleta para além de Porto Walter, o que possibilitará  crescer muito a produção de óleo. Neste ano já foram beneficiadas 2.800 sacas e ainda há em estoque na usina 1.810 sacas e algumas centenas de sacas ainda por chegar. Em 2012, a sociedade agrícola pretende se tornar independente, inclusive comercializando a produção no mercado livre, contando para isso com os investimentos do governo.

armazemthumb_dsc_0178_Guevara conta que a comunidade Nova Cintra sente-se orgulhosa de gerenciar uma indústria no meio da floresta e está contente com o resultado financeiro, já que a usina proporciona emprego e renda. A usina tem cinco funcionários com carteira assinada, sempre contrata diaristas e ainda proporciona geração de renda em 31 comunidades situadas ao longo do rio, beneficiando 300 coletores. “Agradecemos ao governo que deu esta prioridade à nossa comunidade”.

O gerente da usina, Antônio Bezerra, trabalhava como agricultor quando veio residir em Cruzeiro do Sul, onde conseguiu emprego na Fábrica Tawaya, a primeira a extrair óleo de murmuru na região. Posteriormente trabalhou na empresa Juruá Ecoextrativismo. Nesse período aprendeu tudo relacionado à extração do óleo de murmuru e acabou sendo contratado pela sociedade agrícola para gerenciar a usina.

Ele conta que a extração de óleo melhorou sua vida. “Estou empregado, trabalho na floresta e ajudo nossa comunidade a viver melhor. Estou muito satisfeito”, declarou.

Economia florestal

Segundo o secretário Edvaldo Magalhães a usina da comunidade Nova Cintra é um exemplo de que se pode apostar com segurança na economia florestal, pois ela dá resultado. “É um produto renovável. Todos os anos caem muitos cocos, que podem ser coletados no intervalo das demais atividades ribeirinhas. O óleo de murmuru é um produto disputado no mundo dos cosméticos, que é o mercado que mais cresce no mundo.”

Outra intenção do governo, segundo Edvaldo, é atrair para o Juruá indústrias de cosméticos, investindo R$ 10 milhões num pólo oleoquímico de maneira que seja feita na região o fracionamento dos diversos óleos, o que possibilitará a criação de muitos empregos na região. Ele cita o fato de que a produção é exportada de avião, em tambores de 200 quilos, para mostrar o quanto o produto é valorizado nos mercados nacional e internacional.