Tião defende escala industrial para produtos da floresta em Fórum Global de governadores

A floresta acreana produtiva, habitada e conservada, seus avanços e desafios de sustentabilidade, foi apresentada pelo governador Tião Viana durante a reunião do GCF (Fórum Global dos Governadores para Clima e Floresta), no Rio de Janeiro, em evento que integra a programação da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

govermadorParticiparam da reunião, além do governador Tião Viana, o governador do Amapá, Camilo Capeberibe, e o vice-governador do Mato Grosso, Chico Daltro. Representantes da Nigéria e um representante de Chiapas, no México, também estavam presentes. Durante o evento, cada Estado mostrou os desafios que enfrenta para implementar políticas de desenvolvimento sustentável e economia verde.

Segundo Tião Viana, o desafio maior é dar escala aos produtos sustentáveis, dentro e fora da floresta, sempre com base em processos industriais que incluam populações tradicionais e comunidades produtivas. Isso passa pela piscicultura, fruticultura, manejo madeireiro e reflorestamento.

O governador Tião Viana também defendeu o pagamento por serviços ambientais como forma de sustentar economicamente a conservação da floresta e a vida das populações tradicionais. O Acre é o único Estado que tem uma legislação sobre os serviços ambientais, que seria a remuneração pelos serviços de preservação da floresta em pé, medida por toneladas de carbono.

A proposta do encontro era fazer uma avaliação dos últimos anos e quais os novos desafios. Participaram do evento cerca de 500 pessoas, incluindo representantes de instituições financeiras e de pesquisa, sociedade civil organizada e empresas.

Um dos exemplos de desenvolvimento sustentável é  a Natex, fábrica de preservativos que utiliza látex de seringueiras nativas e fabrica, hoje, cem milhões de camisinhas. Em breve a produção vai dobrar para 200 milhões. A indústria está instalada em Xapuri, terra do líder seringueiro Chico Mendes, e mais de 600 famílias de seringueiros são beneficiadas. A indústria poderia utilizar látex de seringais de cultivo, mas dessa forma não contemplaria as populações extrativistas que moram em áreas ambientais protegidas. O látex nativo ainda oferece outra vantagem: o índice de elasticidade é superior, garantindo mais qualidade ao produto.