Senador Jorge Viana teria sido monitorado ilegalmente em aeroporto e durante viagem

O vice-presidente do Senado, Jorge Viana, teria tido uma conversa monitorada ilegalmente pela Polícia Federal (PF). A revelação se deu na tumultuada sessão do Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJ), na manhã desta quarta-feira, 5. A sessão deliberou sobre a competência daquela corte para julgar processos da Operação G-7, da PF, que resultou na prisão de 15 pessoas, entre elas secretários de Estado, empresários e funcionários públicos.

jvesta1capa.jpgA conversa monitorada teria acontecido no dia 17 de maio, no aeroporto de Brasília, quando o senador encontrou com o desembargador do TJ acreano, Pedro Ranzi, que retornava de viagem ao Estado.

O conteúdo da conversa teria sido repassado pela PF à relatora do processo da Operação G-7. Os federais, no caso o delegado Maurício Moscardi e outro agente que não teve o nome revelado, teriam insinuado no relato à magistrada que Jorge Viana e Pedro Ranzi trataram da concessão de habeas corpus, supostamente para os envolvidos no caso da Operação G-7. O parlamentar e o magistrado teriam sido monitorados por todo o tempo em que permaneceram no saguão do aeroporto de Brasília e observados mesmo quando se encontravam no interior da aeronave.

De acordo com o relato, Ranzi teria sido monitorado, inclusive, durante o voo para Rio Branco e teria sentado ao lado do senador no interior da aeronave, o que foi desmentido pelo magistrado na sessão dessa quarta-feira quando informou à corte que estava sendo monitorado pelos agentes federais.

Pedro Ranzi disse ainda que o teor de sua conversa girou em torno da possibilidade do pai de Jorge Viana, Hilde Viana das Neves, atuar como testemunha sua em um determinado processo. Ele negou, também, que desconhecia o andamento da Operação G-7, já que estava fora do Estado há alguns dias e não teria se informado sobre o caso.

Por sua condição de senador da República e vice-presidente da mesa diretora daquela casa, Jorge Viana tem foro privilegiado e, portanto, só pode ser monitorado em qualquer situação com autorização do Supremo Tribunal de Justiça.

Sua assessoria informou que o parlamentar está tomando as devidas providências e deve entrar com um pedido de explicação à Polícia Federal.