Tijolaço: Temer, Cunha e a ética dos bandidos

Tijolaço
Fernando Brito

 

 

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O único lugar que Temer garantiu é o de Joaquim Silvério dos Reis, o algoz de Tiradentes

 

Michel Temer é um ser desprezível, talvez mais do que Eduardo Cunha.

Este, convenham, tem a ética dos bandidos.

E, por bandido, tem um bando.

Michel Temer, não.

É o que nos tempos de a minha avó, o que se chamava “finório”.

Cujo melhor retrato era do cartunista Péricles com o seu “Amigo da Onça”.

Bem, verdade que o único amigo de Temer nem onça é, é o gato angorá Moreira Franco.

Não sei se ele “vazou” a gravação, confiando em que o Brasil seja mesmo um amontoado de canalhas como ele, que não respeitam a ética e, como Brutus, espera apenas a hora do punhal pelas costas.

Não sei se “foi vazado” por um dos seus destinatários do PMDB, surpreso e enojado pela usurpação explícita do cargo de Presidente, que ele se acha já ocupando com seu golpe.

Sei, porém, que não só o que ele diz é falso – porque quem diz é falso até a medula – como é aprova de que lhe falta a legitimidade para permanecer alguns meses sequer à frente do Governo.

Não só porque lhe falta qualquer estofo moral.

Mas porque lhe faltam as duas coisas que poderiam prolongar uma eventual ascensão sua ao poder pela via do golpe.

Não tem apoio político.

Nem do povo, nem mesmo do Congresso, que o encara apenas com um intermediário de seus apetites.

Nem das Forças Armadas, que dentro do respeito às instituições que vêm praticando, tem uma repugnância figadal à figura do traidor.

Temer pode, pela via do golpe, ascender ao cargo que jamais conquistou ou conquistaria pela via eleitoral.

Mas subiria – e, afinal, já subiu, com seu passo sem volta – ao cadafalso.

Não como Tiradentes, que não se conspurque o nome de um nosso herói nacional.

Mas como Joaquim Silvério dos Reis.