Caf: Governos que acabam antes de começar

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Há governos que acabam antes de começar e os que pensam ainda serem governos quando na verdade, há muito também, já findaram e não se dão conta ou fingem para melhor enganar…. – J R Braña B.

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Por Joaquim Xavier:, via Caf, de PHA

No Brasil, tudo é possível. Sem recuar muito no tempo, em 31 anos (1985-2016), já tivemos um presidente morto antes de assumir, 2 impeachments, inflação de 80% ao mês. Num breve intervalo, vivemos também um período de 12 anos em que o país finalmente parecia começar a amenizar feridas seculares.

Chega? Nem pensar. Como diz a incomparável jornalista Tereza Cruvinel, por aqui o impensável definitivamente decidiu montar acampamento.

O governo de Jair Bolsonaro, sejamos realistas, acabou antes de começar em primeiro de janeiro. Não se trata de opinião ranheta, vingança de supostamente derrotados. São os fatos, simplesmente os fatos, que comprovam.

A saúde do militar presidente é um mistério. Poucas dúvidas em relação à capacidade da equipe que o trata. O Dr. Macedo é reconhecidamente um dos mais competentes médicos do Brasil, para não dizer do mundo. Falo isso não exatamente por experiência própria, mas por conhecer gente séria e muito próxima tratada por ele que venceu desafios considerados impossíveis por outros clínicos. Espero não ser desmentido no futuro.

Ocorre que razões de Estado, em casos semelhantes, sobrepõem-se à ciência e ao determinismo da medicina. Uma nuvem de mistério cerca o estado de saúde do oficial, assim como François Mitterrand escondeu durante anos ter sido atacado pelo câncer e Tancredo Neves, pouco antes do funeral, ilustrava fotos montadas como atleta. Será que ninguém percebe como é estranha a situação de um “eleito” que terá de ser operado menos de um mês após tomar posse? Tomara esteja exagerando, pois aprendi com chefes experientes que com morte não se brinca. Respeito isso até hoje, inclusive com relação a Bolsonaro.

Esta é a parte humana, digamos assim. Mas o que sobra é rigorosamente desanimador e catastrófico.

Bolsonaro foi ungido com base numa fraude identificada e documentada, graças a uma rede de mentiras orientada por um assessor de Donald Trump. Quem finge não enxergar a fancaria, pode me chamar de Cidadão Kane a partir de hoje. Ou de Miriam Leitão e assemelhados, à escolha do freguês.

A família Bolsonaro foi recém-pilhada em falcatruas utilizando um motorista. O valor da roubalheira, por exemplo, supera o que supostamente o ex-presidente Lula teria amealhado para reformar um sítio que nem dele é. Um cheque voador em nome da futura primeira-dama daria para comprar quase uma dezena de barcos de alumínio iguais ao atribuído sem provas à dona Marisa. As justificativas oficiais são risíveis: empréstimo, amizade – só faltam a Fiat Elba de Collor ou um empréstimo no Uruguai providenciado por algum irmão de Abílio Diniz.

Vamos em frente.

Onyx Lorenzoni é descoberto como cliente cativo de caixa-dois. Não se sabe o que é pior: o crime ou o perdão. Este último é obra-prima do imparcial Sérgio Moro. “Ele errou, reconheceu o erro. Portanto, isto não vem ao caso. Assunto encerrado”.

A propósito, comunico ao novo superministro da “Justiça” que devo a bancos. Errei ao me endividar acima de minhas posses para ajudar um irmão, pois não esperava ficar desempregado. Liguei ao banco pedindo perdão com base na jurisprudência curitibana. Aguardo a resposta sobre a anistia a minhas dívidas. Espero que Moro não me deixe na mão…

Quanto ao que sobra do gabinete redentor, as notícias são aterradoras. Paulo Guedes é um especulador de ofício acusado de tramoias à custa do dinheiro público. O general Heleno, algoz do Haiti, vibra com operações de extermínio em massa sob pretexto de perseguir um único criminoso como fez em Port-au-Prince.

Os novos “chanceler” (crente de que Mao-Tsé-Tung está vivo e tem pesadelos com Lênin) e “ministro da Educação” são discípulos de um astrólogo que, segundo sua própria filha, a impedia de estudar, cultuava a poligamia e hoje se refugia nos Estados Unidos.

Bem, não sejamos tão pessimistas, consideram alguns. Há uma bancada bolsonarista robusta e, quem sabe, pode frear a maré de insanidade. Fracasso: nem Polyana acredita. Os últimos acontecimentos exibem uma malta de despreparados, ególatras e oportunistas. O grupo inclui familiares presidenciais incultos, ex-“jornalistas” descompensadas e uma advogada adepta de surtos esotéricos quando se trata de derrubar presidentas eleitas.

Parece suficiente, não?

Não. Todo este pessoal está disposto a insistir na ética de faroeste, com o apoio da mídia grande, do supreminho, do congresso de opereta e, principalmente, do grande capital financeiro internacional que comemora a xepa de feira em que o Brasil se transformou… Chamam isto de “alternância democrática”.

Por acidentes da vida, fiquei dois dias acompanhando a “grande imprensa” oficial via rádio, TV e internet. O Brasil vive uma epidemia de intoxicação de mentiras embalada como “verdade” ou vendida como fato relevante. Mataram um cachorro num supermercado de São Paulo. Manchinha. Só um primata deixaria de condenar tal ato brutal e que deve ser punido de modo exemplar.

Mas e o entorno? O Brasil tem pelo menos 50 milhões de desempregados de fato. A vereadora Marielle e o motorista Anderson foram executados a sangue frio. Daqui a pouco, o crime fará um ano sem solução. Quer mais? As ideias do general Heleno ganham corpo sem que as pessoas prefiram se dar conta: no Ceará, houve um massacre em que morreram vários reféns inocentes de assaltantes de banco. Um dos policias envolvidos na chacina afirmou: “mas o que os reféns estavam fazendo lá”?

Eis aí o Brasil que se promete. Quem sabe um dia a Oposição acorda.

Joaquim Xavier


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