Matem os ricos (v)

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Coringa: filme

Matem os ricos (v)

Por *Ângelo Cavalcante

Não… O intitulado acima não é meu!

O apanhei do filme “CORINGA” e que está em cartaz nas melhores salas de exibição do país. (tá aqui em Rio Branco também – J R Braña B.)

Destaque para a performance irretocável de Joaquin Phoenix que mais do que encarnar o personagem vive em seus detalhes, minúcias e filigranas o espírito do ser desta criação artística e simbólica.

Bem mais do que um filme, CORINGA é a mais precisa metáfora a traduzir o tempo presente.

É, todo ele, provocativo, instigante e incômodo. Em verdade, é libertário!

A história se passa na imaginaria Gotham – na verdade é Nova York – uma metrópole devastada pela violência, pelo desemprego e pelo desamparo social.

Arthur Flake, o CORINGA, é indivíduo cuja subjetividade fora devastada por traumas, danos e rupturas irreparáveis desde sua infância.

Outra “deixa” analítica decisiva do filme é a forma como a moderna, futurista e imponente Gotham trata das pessoas portadoras de necessidades especiais.

É tocante o instante em que Flake é avisado por uma assistente social de que a miúda sala em que era recebido para apanhar medicamentos e tratar de seu distúrbio seria extinta.

Ao ver o filme, definitivamente não tem como não lembrar de um Brasil que segue amiudando ou encerrando orçamentos de universidades, institutos federais, hospitais, bolsistas, pesquisas e projetos de reconhecida importância social.

Não pude não lembrar do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), uma referência nacional/internacional no estudo de áreas degradas pelo fogo ou pelo latifundio e ser destratado com tamanha furia pelo atual presidente.

É arrebatador!

Na verdade, desconfio que CORINGA é filme para economistas; para que, quem sabe, compreendam o que o neoliberalismo como experiência objetiva pode fazer com grupos sociais, com a sociabilidade e com a individualidade das pessoas.

Vejam CORINGA! Vejam BACURAU e vejam o Brasil que nos é servido! Esse país que depravadamente, ousa nos apresentar o corpo de Ágatha, uma criança de “perigosos” oito anos e recentemente assassinada pela PM do Rio de Janeiro.

Um país fraturado, cuja estima rasteja na lama e que assiste ao governo vender “democraticamente”, a preço de cascas de banana, fábricas de avião, jazidas de petróleo e refinarias públicas.

Vejam CORINGA e assistam os filmes do diretor argentino-brasileiro Carlos Pronzato que denuncia os muitos e diversos labirintos sociais e devidamente dispostos por todo o país.

CORINGA não é um palhaço; é a síntese política de um tempo histórico; não é um assassino, é um levante contra-cultural concatenado nos fazeres de um desequilibrado mental; ao fim, vale questionar: quem não se desequilibra com tudo o que estamos a passar?

CORINGA já é identidade social e pública; não por acaso, ainda hoje, recebi um “link” vendendo camisetas com a estampa deste “herói”.

Veja CORINGA mas fuja do binômio bom/mal; da armadilha fácil do ‘mocinho/bandido’; da esquemática dual e matizada pelo velho formato de heróis e bandidos.

CORINGA foge disso. Refaça seus olhos, recrie suas percepções, atualize suas sensibilidades e não tenha dúvidas… Você é participante ativo e direto desta obra!

Veja CORINGA!

*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

Trailer do filme Coringa… assista


Em tempo:
eu reforço…vejam Coringa e vejam também Bacurau…. – J R Braña B.


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