São Paulo reclama do Acre por envio de haitianos (era só o que faltava)

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Imigrante haitiano em frente à Paróquia Nossa Senhora da Paz. (Foto: Lívia Machado/G1)

[A paulistada não quer os haitianos. E a velha mídia só descobriu os imigrantes ontem]

Eles chegaram aos milhares ao Acre. Nos últimos três anos foram pelo menos 15 a 20 mil haitianos.

Chegaram ao Acre e ficaram.

Não foram imediatamente para São Paulo, como é o sonho da maioria deles.

Dias atrás, o Governo do Acre desativou o abrigo de Brasileia.

Porque não havia mais condições de manter os imigrantes por mais tempo.

Aqui no Acre, os haitianos receberam atenção, comida, tratamento em saúde e documentos civis.

Receberam solidariedade.

O Estado do Acre, mesmo sem condições, fez o que pode e o que não pode para ajudá-los.

Cumpriu religiosamente com sua obrigação.

Aqui no Acre os haitianos foram tratados com humanidade.

Muito bem.

Ontem a velha mídia brasileira, que não deu destaque algum para o problema que foi o Acre abrigar por anos os haitianos, levantou a lebre para alardear que São Paulo, o estado mais poderoso do Brasil (administrado por tucanos e sua capital por petistas) não tem como manter os haitianos por lá.

E o Acre tinha?

Enquanto estavam no Acre, no pobre município de Brasileia, os haitianos não representavam nenhum perigo, nem ameaças.

Agora como se aproximaram da elite, da Casa Grande, como bem cunhou Gilberto Freire no seu livro clássico e obrigatório a leitura a todo brasileiro, a preocupação vem logo à tona.

O Governo de São Paulo, tucano, não disse nada sobre os haitianos.

Fez de conta que não é com ele o problema.

A prefeitura de São Paulo, administrada pelo PT, está incomodada com a presença dos haitianos.

O prefeito Fernando Haddad chegou a ligar para o Acre pedindo explicações.

Que explicações, prefeito?

Que ajuda extraordinária (foram migalhas o que foi repassado pelo Ministério da Justiça) o Acre recebeu para cuidar dos haitianos durante esses três anos?

Com muito esforço e sem recursos, o governo Tião Viana fez das tripas coração para que a solidariedade acreana não faltasse aos haitianos necessitados.

O Acre deu exemplo de humanismo.

Coisa que São Paulo não está dando.

Nem dará.

Brasileia teve sua vida modificada, sua rotina pacata quebrada por anos – para ajudar o quanto pode irmãos do Haiti que pediam o mínimo.

Foram três anos esse município do Acre mostrando o que é solidariedade e humanismo.

E agora São Paulo e suas elites brancas viram as costas para os pobres do Haiti. Alardeia que o Acre os enviou sem avisar.

Sem consultar.

O Acre, por acaso, foi avisado, consultado de que receberia uma leva de milhares de haitianos fugindo da fome e da pobreza extrema?

Não foi.

Mas o Acre os acolheu.

O Acre fez o que os princípios cristãos ensinam.

‘Acolha e ajude’ a quem precisa.

E ainda vem o Ministério da Justiça com uma nota completamente fora de tom.

Descompromissada politicamente, para não dizer omissa, com a questão dos haitianos.

Uma atitude no mínimo preconceituosa do ministério, que foi muito cobrado pelo Acre por não atender efetivamente as necessidades do Estado e dos imigrantes.

Aí quando os pobres do Haiti, negros em sua totalidade, entram na Casa Grande,  na São Paulo dos tucanos elitistas e petistas pouco sensíveis e nada humanistas, o ministro da justiça, José Eduardo Cardoso (o Zé, como diz Paulo Henrique Amorim) rapidamente solta nota (leia abaixo) sobre o problema.

A nota não aponta solução nem vontade de resolver.

Nem defende, como deveria, o  Estado do Acre em seus valiosos préstimos aos haitianos.

O Acre não deve aceitar esse tratamento de segunda classe.

O Governo do Acre fez a sua parte com os haitianos.

Muitas vezes tirando de onde não tinha para que não faltasse o básico para seres humanos carentes de tudo.

E, pasme, nos primeiros dias dos haitianos em São Paulo, a notícia que se tem é que já começam a passar fome e que não têm onde dormir.

Essa é a elite política brasileira (de direita, de centro e até de esquerda) que se diz solidária.

Solidária de gabinete.

Solidária no blá  blá  blá.

O sonho brasileiro dos haitianos era chegar em São Paulo.

Talvez agora não seja mais.


Leia nota do Ministério da Justiça

Que nota confusa!

Nota do Ministério

Confira abaixo a íntegra do posicionamento do Ministério da Justiça:

“Brasília, 22/04/2014 – Durante os últimos três anos o Estado brasileiro, por meio de Resolução Normativa editada pelo Conselho Nacional de Imigração, concede vistos de permanência em caráter humanitário e promove ações de apoio aos haitianos que chegam no país, auxiliando especialmente o Governo do Acre com recursos adicionais para saúde, assistência e integração social.

Como exemplos dessa ação integrada, informa-se que mais de 4,2 milhões de reais foram repassados para os serviços de assistência, 1,3 milhão para os serviços de saúde, além de garantir documentação básica de forma simplificada e imediata (com registro, CPF, carteira de trabalho e cadastro no Sistema Nacional de Emprego). Ocorre que o Estado do Acre passa por uma calamidade decorrente de uma enchente histórica que afetou as condições de recepção aos imigrantes haitianos, impossibilitando o seu trânsito voluntário e o fluxo regular e gradativo ao restante do país.

Em razão disso, o Governo do Acre tomou a decisão temporária de facilitar o deslocamento desses migrantes devidamente documentados para os outros estados de destino final. Não sendo utilizados aviões da FAB para transporte de pessoas da região Norte para qualquer outra região do país. Para a recepção dos migrantes em situação de vulnerabilidade o Ministério do Desenvolvimento Social está ampliando em mais de 5 mil vagas a capacidade dos serviços de acolhimento em diversos Estados e municípios de todo o país.”


Traduzindo a nota do MJ

Quando o problema acontece em estados distantes, pobres, periféricos como Acre, ninguém liga para nada.

Deixa rolar…

Basta incomodar os donos do Brasil e aí a elite pula cheia de razão.

-Como esses haitianos chegaram até aqui para nos perturbar em nossa Casa Grande?


Acredite,  se quiser

O doutor GladsonC está pondo o carro à frente dos bois.

Revelaram à coluna que o plano do doutor é eleger-se senador e no quarto ano ser candidato ao governo e, claro, ganhar.

GladsonC  teria revelado esse seu delírio de uma noite de verão ao seu virtual suplente Edmar Monteiro que, evidente, dizem, está feliz da vida com a ideia.

Sempre que se sabe ou se ouve algum tipo de promessa do deputado do Partido Progressista (?) a pergunta vem acompanhada:

-Ele cumpre palavra?


Aposentadoria da policial mulher

A Câmara dos Deputados aprovou na noite da terça-feira o PLP 275/01, que trata da aposentadoria diferenciada para as mulheres policiais, dando à categoria o direito de se aposentar aos 25 anos de contribuição, desde que quinze sejam exclusivamente como policial.

A deputada Perpétua participou da votação e é grande defensora da categoria e do pleito.

Foram 343 votos a favor, 13 contra e 2 abstenções. A matéria vai à sanção presidencial.

Em tempo: agora pergunta quem foi o deputado do Acre que não foi lá votar a favor das mulheres?

Ele mesmo…O doutor GladsonC.


Não é verdade

O doutor deputado GladsonC disse na tribuna da Câmara, com release enviado à imprensa local, o seguinte:

(…houve falta de gasolina e gás de cozinha nos períodos mais críticos…)

Nunca houve falta de gás mesmo com 60 dias de isolamento.

Das duas, uma: O parlamentar não veio conferir os problemas enfrentados pelo Acre ou fala o que lhe põem escrito para falar na tribuna sem conferir antes se é aquilo mesmo.

Que mandato!


Liberou!

[foto: sérgio vale]

O DNIT autorizou a passagem de veículos de passeio pelos trechos que estavam alagados na BR-364, em Rondônia.

Mas alerta que as condições nesses tramos da estrada estão precários.

200 milhões é o valor que o órgão diz que precisará para reconstruir os estragos do Rio Madeira.


Charge

Publicada no Conversa Afiada.


Por hoje, FIM

 

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