Indenização para famílias de hansenianos

Seu Raimundo Nonato adquiriu hanseníase ainda criança. Nas mãos, ele carrega até hoje as marcas da doença que até a década de 70 não tinha cura e o isolamento compulsório era a orientação do governo para evitar o contágio. Aos 8 anos, ele saiu do seringal aonde morava com os pais, em Cruzeiro do Sul, e seguiu sozinho em um batelão rio abaixo. Foi em uma colônia com outros portadores de hanseníase que Raimundo Nonato encontrou acolhida e foi na força do Movimento de Apoio às pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) que ele pôde recuperar parte do que lhe foi negado.

morhan1Com a Lei 11.520/2007, de autoria do então senador Tião Viana, foi garantida a indenização a todos os hansenianos vítimas de históricos preconceitos e do isolamento forçado no Brasil. Agora, a luta do Morhan é pela indenização dos filhos dos portadores de hanseníase que foram tirados a força de seus pais nas décadas de 40, 50 e 60 para serem criados em educandários e orfanatos. Em um encontro realizado na manhã dessa sexta-feira, 06, no Teatro Hélio Melo, em Rio Branco, com mais de 300 pessoas do Acre e do Amazonas, o movimento ganhou força com o apoio do senador Jorge Viana, que esteve presente no encontro e garantiu defender a causa em Brasília.

“É uma luta mais do que justa. Faço questão de afirmar que podem contar comigo porque esse projeto precisa ser aprovado”, disse o senador lembrando que a causa dos hansenianos é defendida por ele há muitos anos e que sempre contou com o apoio do ex-presidente Lula. Tudo o que for feito pelas famílias vítimas dessa história de preconceito, ainda é pouco”, declarou Jorge que também fez um resgate da luta de Bacurau, fundador do Morhan no Acre e símbolo da luta dos hansenianos no Brasil.

O coordenador estadual do Morhan, Élson Dias, resgatou parte dessa triste história de isolamento que segregou famílias durante tantas décadas no Brasil. “Os filhos eram tirados do convívio e levados para abrigos como o antigo Preventório, aonde hoje funciona o Educandário Santa Margarida. Alguns nunca chegaram a conhecer os pais biológicos, enquanto outros só foram conhecer muito mais tarde”, lembrou.


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