Uma nação à beira do abismo político (STF tem papel histórico hoje)

A propósito, oestadoacre reproduz atualizado texto do Tijolaço e Marcelo Auler, sobre esta quarta-feira, onde o Brasil pode avançar historicamente ou regredir como nação que respeita a Constituição e as liberdades individuais.


O Supremo quer se atirar à fogueira?

Depois de escrever o post anterior, onde falo que o Supremo, se negar hoje o habeas corpus de Lula estará, talvez pela última vez, “entregando carne aos lobos para evitar ser devorado também” chegou-me a imagem do post: fascistas queimam bonecos representando os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, ontem, em Porto Alegre.

É o que farão, escrevam, se o Judiciário continuar lhes abrindo os portões para a chegada ao poder do ódio e do fanatismo.

Pois foram eles mesmos, os ministros do Supremo que permitiram que isso chegasse a este ponto, como resume hoje, em seu blog, meu companheiro Marcelo Auler:

Na verdade, os onze ministros do Supremo colhem o que plantaram. Afinal, nos últimos anos, foram muitos os exemplos da grande maioria deles de desrespeito à Constituição que têm por dever guardar. Exemplos abundam. Em especial desde que a chamada República de Curitiba deu início à Operação Lava Jato, adotando suas leis, seus códigos e interpretando o “livrinho” (como Eurico Gaspar Dutra chamava a Constituição) a seu bel prazer.

Foi assim, em 2014, dez dias depois de iniciada a Operação, quando um grampo ilegal foi encontrado na cela do doleiro Alberto Youssef e nada aconteceu contra ninguém. Continuou assim, quando a doleira Nelma Kodama, foi beneficiada com seu retorno à custódia da Polícia Federal, depois que ajudou a tentar incriminar policiais federais e advogados que se manifestaram contra o jogo político da Lava Jato.

Permaneceu assim em vários outros momentos como, por exemplo, quando o juiz Sérgio Moro divulgou uma gravação de uma presidente da República e o máximo que lhe aconteceu foi levar um puxão de orelha do então ministro Teori Zavascki, diante de um silêncio sepulcral dos demais ministros daquela corte.

O jogo político da nossa Suprema Corte foi totalmente exposto à luz do dia quando, de um lado, o ministro Gilmar Mendes anulou a posse do cidadão e ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da presidente Dilma Rousseff, sob a alegação de que buscavam um foro privilegiado. Mas quando empossaram ministro o ex-governador do Rio Moreira Franco, já no governo do golpista Michel Temer, tudo foi convalidado. Patente, portanto, o lado político nas decisões dos senhores ministros, bem como dois pesos e duas medidas.

Os dois pesos e duas medidas, desde há muito evidentes com o tratamento dado aos tucanos e, em especial, a Aécio Neves, dão ao povo brasileiro a convição de que balança assim é inútil e inservível.

E aquilo que o fascistóide faz com bonecos numa passarela será apenas a avant-première alegórica do que o regime que pretendem impor fará à Justiça brasileira.


E mais…: