Portugal: Morre Mário Soares, o presidente da liberdade

jornal de Notícias, de Lisboa

Mário Soares, um dos mais importantes dirigentes socialistas da Europa

1924-2017

 

Contando-se entre os membros fundadores do Partido Socialista (PS), Mário Soares foi uma das mais complexas personalidades políticas europeias, e um dos mais notáveis protagonistas da História da política portuguesa da segunda metade do século XX.

Tendo sido empossado três vezes como primeiro-ministro de Portugal, o dirigente socialista foi ainda presidente da República Portuguesa em dois mandatos, e há-de ser recordado sobretudo como o ministro dos quatro primeiros governos provisórios do Portugal democrático que iniciou oficialmente o processo de descolonização.

Foi ele também quem deu início ao processo de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE) e subscreveu, enquanto primeiro-ministro, o Tratado de Adesão à CEE.

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Vida no exílio

Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu em Lisboa, em 7 de dezembro de 1924, filho de Elisa Nobre Soares e de João Lopes Soares, professor, pedagogo, autor e político da Iª. República. Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas e em Direito pela Universidade de Lisboa, foi professor do ensino secundário (particular) e diretor do Colégio Moderno, fundado por seu pai. Exerceu a advocacia durante muitos anos e, quando do seu exílio em França, foi “Chargé de Cours” nas Universidades de Vincennes e da Sorbonne, em Paris, e professor associado na Faculdade de Letras da Universidade da Alta Bretanha, em Rennes.

Resistente à ditadura (ao regime do Estado Novo) e ativo na organização da Oposição democrática ao salazarismo, Mário Soares defendeu presos políticos, enquanto advogado, participando em numerosos julgamentos no Tribunal Plenário e no Tribunal Militar Especial.

Pela sua atividade política contra a ditadura, foi também preso mais de uma dezena de vezes pela polícia política do Estado Novo, a PIDE. Chegou a estar deportado sem julgamento, em África. Também esteve exilado em França, de onde regressou três dias depois da revolução de 25 Abril de 1974, tendo chegado à estação de Santa Apolónia, em Lisboa, transportado pelo “comboio da liberdade”, conforme ficou conhecido o “Sud-Express” de 28 de Abril daquele ano.