JV, Carta: ‘Despreparo no Acre é espelho do desajuste Bolsonaro’ (v)

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Carta de Jorge Viana, e-governador e ex-senador do Acre…logo após o vídeo…

Carta…

 

O Acre com força e futuro

Aqui no Acre a gente se conhece. Temos o pertencimento de uma comunidade onde cada família importa para esse jeito de viver que é só do nosso lugar. Povos indígenas, populações tradicionais, migrantes, nordestinos e brasileiros de todas as regiões construíram esse estado multicultural que tanto amamos, mas que agora vemos tão maltratado. A solidariedade é uma de nossas marcas e nunca precisamos tanto dela.

Trabalhadores, empreendedores e empresários urbanos, rurais e florestais, todos sabemos do potencial da nossa terra. Se a realidade amazônica e as desigualdades regionais tornam nossos desafios mais difíceis, foi trabalhando pela Amazônia sustentável que vivemos nossos melhores momentos. Já provamos que é possível tomar parte no desenvolvimento do país, ter o respeito do Brasil e trazer apoio externo para o Acre.

É verdade que a pandemia do coronavírus impõe um dos momentos mais difíceis para todas as pessoas e agrava a crise brasileira, mas também é verdade que os mandatários que aí estão apresentam um desempenho muito abaixo do esperado no enfrentamento dessa crise.

É inaceitável o mal causado à imagem e aos interesses do Acre por trapalhadas no Senado rotuladas pelo ministro da Economia de “lambança” e “nave pilotada por macacos”.

Enquanto senador fui incluído entre os mais influentes do Congresso por trabalhar focado em levar a contribuição do Acre às boas causas nacionais e trazer recursos para o nosso estado. Relatei projetos fundamentais para o desenvolvimento do país, como o novo marco regulatório da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Lei da Biodiversidade e o Código Florestal Brasileiro, que valoriza o meio ambiente e dá segurança jurídica para o uso da terra. Nosso mandato levou a aprovação de duas emendas à Constituição, uma tornou a água potável direito fundamental, outra trouxe maior proteção para as mulheres.

É inaceitável o mal causado à imagem e aos interesses do Acre por trapalhadas no Senado rotuladas pelo ministro da Economia de “lambança” e “nave pilotada por macacos”.

Trabalho e torço para o Acre dar certo, mas também acredito que a coragem é a voz do coração e já é hora de falar. A sociedade esperou pacientemente, mas eles que ganharam tudo, governos e maioria parlamentar, já estão no terceiro ano de mandato e pouco apresentaram. O que se vê são brigas no governo e seus partidos. Cada um quer ser o patrão e cada vez mais desmoralizam-se uns aos outros.

Quando tivemos a oportunidade de fazer mudanças no nosso estado, resgatamos a autoestima das pessoas e o orgulho de ser acreano. Voltamos a levantar a bandeira, cantar o hino e exaltar a Revolução Acreana. Tiramos o nosso estado das manchetes policiais com o crime organizado e escândalos de corrupção, passando a mostrar ao Brasil nossa história inspiradora, como na série de televisão “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”.

Me orgulho quando encontro alguém que se lembra do que fizemos na Educação. Fortalecemos a UFAC celebrando parcerias para professoras e professores do Estado cursarem a faculdade. Melhoramos salários e condições de ensino e aprendizado. Chegamos a todos os municípios com ensino médio, curso superior, cultura, esportes e novas perspectivas de vida para a juventude.

Na Saúde, que é uma área onde a melhora deve ser constante, somamos conquistas da atenção básica aos serviços de alta complexidade, hospitais regionais, UTI’s, faculdade de Medicina, até programas de transplantes. Reduzimos a taxa de mortalidade infantil de 32 para 14 por mil nascidos.

Muitos empregos e oportunidades surgiram quando a produção cresceu com apoio à agricultura familiar, aos negócios florestais, a pecuária e ao agronegócio. A construção civil nunca foi tão forte. Fizemos obras importantes, movimentamos a economia em todas as regiões do estado e experimentamos um cenário que não faltava o pão à mesa das famílias.

Se você acredita que o Acre precisa crescer, é bom se lembrar que antes o atraso era muito grande, puxe na memória como era na década de 90, faltava tudo. Criamos a infraestrutura para o desenvolvimento. Implantamos o luz para todos e concluímos todas as grandes estradas e pontes dentro do nosso território. Consolidamos a ligação com o Peru e a Bolívia. A presidenta Dilma abraçou nossa luta pela ponte do rio Madeira, avançou as obras e reservou dinheiro para sua conclusão, mas eles tomaram o poder e por cinco anos de dois governos atrasaram e fizeram a ponte de palanque.

Entre 1999 e 2018 o PIB do Acre, que é a soma de tudo que produzimos, saltou de 1,6 bilhão de reais para mais de 14 bilhões de reais. Cresceu quase 10 vezes!

É bom que se diga também, uma coisa que aprendi com meu pai e passei para minha filhas, é que ninguém faz nada sozinho. Os servidores públicos foram nossos parceiros prestigiados. A interlocução com o Judiciário, o Legislativo, Ministério Público, Tribunal de Contas e instituições fortaleceu a presença do Poder Público junto à população. Trabalhamos em parceria com todos os segmentos da sociedade civil. Tivemos a felicidade de poder contar com as igrejas e apoiá-las para ações inspiradoras e projetos sociais. Os partidos e lideranças aliadas deram força política para as mudanças que construímos juntos, com forte participação popular.

É preciso respeito às diferenças de ideias e colaboração para construir soluções de consenso. O saudoso vice-governador Edson Cadaxo é exemplo do caráter amplo e ético da participação dos partidos nos nossos governos. Esse é o mesmo compromisso para um novo movimento pelo resgate da boa política no Acre.

Agora o Partido dos Trabalhadores me convida para liderar pessoalmente as mediações internas e com outros partidos e segmentos sociais visando às eleições de 2022. Aceitei esse desafio com humildade, depois de ouvir e receber a solidariedade para a tarefa dos ex-governadores Tião e Binho, dos ex-prefeitos Angelim e Marcus Alexandre, de prefeitos, parlamentares, muitas amigas e muitos amigos – partidários e apartidários.

O momento é grave e exige foco no combate à pandemia e seus efeitos, mas também precisamos pensar no futuro de um Estado que hoje é governado sem um projeto de desenvolvimento local e sem a articulação de apoios e conexões nacionais e globais. Esse despreparo espelha a política desajustada do presidente Bolsonaro, responsável pela volta da inflação, do desemprego e da fome, além da péssima condução dessa pandemia que já projeta 500 mil mortes por Covid-19, trauma que ficará na vida de todas as famílias brasileiras.

Todas as grandes economias do mundo já voltam a apresentar crescimento, menos o Brasil. Fake news agitam o país, mas não movem a economia, não geram empregos e não colocam comida na mesa das famílias.

Felizmente já vemos Justiça e esperança. A anulação dos processos contra Lula me alegra porque mostra a resistência da democracia e porque tenho muita gratidão ao presidente que mais fez o Brasil crescer, que mais trouxe investimentos para o Acre.

Os países desenvolvidos apontam que a economia pós pandemia deve crescer com proteção aos mais pobres e valorização do meio ambiente. Se esse sempre foi nosso sentimento e orientação, podemos fazer o Acre recuperar o protagonismo no enfrentamento das mudanças climáticas e ser referência na economia descarbonizada.

É preciso dotar o governo de ferramentas e práticas avançadas para uma gestão pública inserida na realidade do mundo digitalizado, conectado e globalizado. O combate a corrupção sendo um compromisso de ação permanente, sem manipulação e com a mesma medida para todos.

Os desafios de uma realidade econômica e social em constante transformação cobram soluções ousadas. Já é hora de implantar um programa de renda mínima. Apoiar os pequenos negócios, o empreendedorismo e a inovação. Estruturar o Estado como facilitador de novas iniciativas e da vida das empresas. Garantir internet de qualidade e acesso às novas tecnologias 5G.

Enquanto os mandatários de agora brigam e mergulham no atraso, vamos nos preparar para as eleições de 2022 com um movimento pelo Acre do Século 21.

Passamos 100 anos lutando para romper o isolamento e integrar o Acre ao Brasil. Agora as novas tecnologias nos permitem um sonho maior de conexão global, com possibilidades extraordinárias para um estado da Amazônia de economia sustentável, de impacto social, conectada com diversos mercados e fortalecida no conhecimento. É assim que podemos fazer a diferença para atrair negócios, estimular a produção e gerar empregos.

Com fé em Deus, vamos ter novamente o Acre com força e futuro. Precisamos ter inteligência para explorar e renovar o legado extraordinário das nossas populações tradicionais. Quero ampliar o diálogo com todos, lideranças políticas, trabalhadores e empresários, ouvir as mulheres, saber o que diz a juventude, e também os idosos e os que perderam sua renda. Não precipito candidaturas, não ambiciono esse ou aquele cargo, estou agindo pela união de todos que querem o melhor para o Acre e o Brasil.

Enquanto os mandatários de agora brigam e mergulham no atraso, vamos nos preparar para as eleições de 2022 com um movimento pelo Acre do Século 21.

Jorge Viana
abril de 2021