Crônica de Dandão: Sebastião Alencar

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Sebastião Alencar

Francisco Dandão – Acordei na manhã dessa sexta-feira (18) com a má notícia piscando na tela do meu computador: o velho amigo Sebastião Alencar, provavelmente o dirigente que mais fez, de todos os pontos de vista, pela grandeza do Rio Branco, partira desta vida. Octogenário, ele não resistiu ao ataque da Covid.

Há muito tempo nos perdemos de vista. Desde que eu me mudei para Fortaleza, em maio de 2015, são poucos os amigos com quem eu mantenho contato, seja presencial ou via aplicativos de mensagens. E quando passo pelo Acre, o faço de maneira tão rápida que quase não encontro ninguém.

Mas, apesar do prolongado tempo de ausência do querido Alencar, eu de vez em quando lembrava dele, pelas palavras de gente ligada ao futebol que trabalhou com ele. Todos, a uma só voz, elogiando a maneira como ele dirigia o Estrelão, sempre cordial e cumprindo à risca os seus compromissos.

Eu o entrevistei em 2012 para a edição nº 2 do gibi Futebol Acreano em Revista. E hoje cedo, ao saber da partida dele, corri aos meus arquivos para rever o que ele me dissera naquela oportunidade, em quatro horas de bom papo, numa salinha da empresa de distribuição de água que ele criou.

Nas linhas a seguir, vou reproduzir trechos do que ele disse naquele dia, como forma de homenagem à memória desse excepcional desportista.

Sobre a chegada dele ao Estrelão: “O meu ingresso no Rio Branco se deu por conta de um convite que eu recebi do advogado Edmir Gadelha e do jornalista José Leite, porque naquele momento havia uma dificuldade para encontrar pessoas que quisessem compor a direção do clube”.

Sobre a questão das receitas do Rio Branco: “(…) uma das minhas preocupações era justamente dotar o clube de uma fonte de receita. Foi aí então que eu tive a ideia de construir a galeria de lojas na frente do estádio.”

Sobre o processo de formação dos elencos: “(…) pelo fato de eu ser o gerente local da Vasp, eu tinha um relacionamento grande em nível de Brasil. E eu tinha amizade com gente que também gostava de futebol. E através dessas pessoas eu costumava ter informações a respeito de muitos atletas.”

Sobre feitos marcantes do Rio Branco sob o seu comando: “Eu acho que chegar às oitavas de final de uma Copa do Brasil, que foi aonde chegamos em 1997, isso se configura num feito extraordinário.”

 Sobre os melhores técnicos com os quais ele trabalhou: “Na época do amadorismo, o melhor técnico com o qual eu trabalhei foi o Antônio Leó. (…) na fase profissional, um treinador que eu gostei muito de trabalhar foi o Marcelo Altino, um carioca que eu conheci trabalhando em Goiás (…)”

Grande Sebastião Alencar: Requiescat in pace!

Francisco Dandão, escritor, cronista e tricolor