Tijolaço e o tempo na TV: Quanto mais proibirem Lula…

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O tempo de TV não se mede só em segundos


Fernando Brito, Tijolaço

Já participei da confecção de campanhas eleitorais em televisão de todos os tipos.

Com muito tempo, com pouco tempo; com candidatos “duros” e com candidatos comunicativos, com candidatos que podiam falar e com candidatos que “não podiam falar”.

Existem dois eixos de campanha, basicamente.

O racional-propositivo e o emocional. Não são excludentes, é claro, mas um dos dois deve ser dominante.

Mas sempre são complementares, para serem bem sucedidos.

Embora seja possível, é difícil tocar uma campanha meramente racional e de propostas, tal como é suado carregar a propaganda apenas na emoção.

Afinal, você não pode pensar em apenas comover alguém, dia sim, dia não, ao longo de mais de um mês, tal como não é possível ficar por este tempo dizendo o que fez e o que vai fazer.

Não creio que a falta de tempo de TV para Jair Bolsonaro vá tirar dele o que ele tem.

Ele é um outsider e polarizou o ódio social que tantos adubaram de forma sólida.

Marina, ao contrário, vai se ressentir da perda dos quase 2 minutos que tinha em 2014 para os 16 segundos que terá agora.

É pouco para posar de mártir, e mártir sem causa, afinal.

Meu palpite? “Geraldo” Alckmin tentará ser o “paz e amor”, não o Bolsonaro Opus Dei, que ficará restrito às redes sociais, território de seu concorrente de extrema direita.

A nova regra da propaganda, pela qual “apoiadores” não podem ocupar mais de 25% do tempo do programa, será um problema adicional para Alckmin, cuja figura pouco empática não poderá ser substituída por “apresentadores” em mais do que um minuto e meio dos seis que compõem seu latifúndio eleitoral. Embora com menos tempo, Henrique Meirelles terá problema igual.

Ciro e Álvaro Dias, com 33 segundos cada, serão meros coadjuvantes dos espetáculo.

Os dois minutos da chapa do PT são mais que suficientes para o confronto.

O que é um problema para Alckmin e também para Meirelles, servirá para Fernando Haddad e Manuela D’Ávila desfilarem sua juventude como “resgatadores” da Lula. O lado propositivo e o emocional podem ser perfeitamente fundidos em um sem número de situações: Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, transposição do São Francisco, indústria naval, pré-sal e uma lista que encheria páginas. Como “apresentadora”, Manuela pode ocupar tempo até que seja formalizada como candidata a vice.

Nada impede também a “presença” de Lula no programa, embora seja isto o que, desesperadamente, se constitui na grande “causa” do Poder Judiciário e de seus adversários.

Imagens, o rosto do ex-presidente, seu nome, tudo vai “vestir” os dois minutos petistas, talvez até literalmente.

A proibição de que Lula fale só tornará mais forte o que ele disser por intermédio de outros, que possam emprestar a emoção às “verdades que não podem ser ditas”.

A ideia de que o tempo de Alckmin basta para elevá-lo ao lugar que esperam é falsa. Ajudará, como toda superexposição, mas está longe de ser remédio para seu jeito insosso.

Assim como é falsa a ideia de que impedir Lula de aparecer vá retirar o ex-presidente da televisão. Quanto mais proibido for, mais atenção terá.


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