Chega, falamos nós! (resposta à nota dos generais)

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General Heleno, chefe do GSI do governo federal – foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil)

CHEGA, FALAMOS NÓS!

Resposta de um brasileiro comum à nota dos generais em solidariedade ao General Heleno, ameaçando uma guerra civil no Brasil

SOLIDARIEDADE AO BRASIL E SUA DEMOCRACIA EM PERIGO

Eu, cidadão brasileiro, sem partido, sem religião, amante da paz e que tem como guia maior Jesus Cristo que nos orientou a amar o próximo e até o inimigo, e que por isso acredito ser o amor a salvação do nosso país e do mundo;

Eu, que procuro ser um cidadão honesto, íntegro moral e politicamente, que me dediquei nos últimos vinte e cinco anos à criação e educação dos meus três filhos (1 moça e dois rapazes), junto com minha esposa, venho a público externar a mais completa, total e irrestrita solidariedade à nação brasileira, da qual faço parte, e à sua democracia (Imperfeita, mas que pode ser corrigida), que corre perigo desde que o atual presidente, capitão do exército, Jair Messias Bolsonaro assumiu o poder.

Alto lá, senhores generais subscritores da nota de apoio ao General Heleno.

Tenho acompanhado pelos noticiários da imprensa brasileira e suas reportagens as sucessivas arbitrariedades feitas por agentes públicos ligados ao atual Presidente da República que propagandeiam o golpe militar descaradamente e colocam em risco a frágil democracia brasileira com a conivência de vossas senhorias. Também acompanho as redes sociais para complementar as informações, mas com muito cuidado já que blogs e redes sociais se transformaram em usinas escandalosas de “fake news” patrocinadas por grupos partidários e políticos diversos, notadamente os ligados ao atual presidente e seus seguidores.


Eu, que procuro ser um cidadão honesto, íntegro moral e politicamente, que me dediquei nos últimos vinte e cinco anos à criação e educação dos meus três filhos


Durante mais de um ano assisti, como cidadão, calado, a incapacidade política e administrativa desse governo de inspiração militar, de governar o país, unir os setores da sociedade que o apoiaram (muitos já desistiram ou foram expurgados) para organizar o país e trazer a paz para a nação. Não sendo praticante de armas ou outro tipo de violência e filosoficamente contrário a qualquer atitude que coloque em risco a vida de pessoas e cidadãos, inclusive animais, não posso mais ficar calado vendo que o país está sendo levado para o confronto de forma irresponsável, desde o primeiro dia deste governo, com o silêncio cúmplice de vossas senhorias.

Desnecessário enumerar as atitudes e declarações desastrosas, os conflitos políticos criados pelo Presidente e familiares desnecessariamente, as ameaças a órgãos de imprensa, os crimes de responsabilidade, os privilégios mantidos durante a reforma da previdência aos militares ao passo que a maioria dos trabalhadores privados e públicos foi prejudicada com a verdadeira cassação das suas aposentadorias e vários direitos sociais. Enquanto tudo isso ocorria, as ruas estavam calmas. A balbúrdia, a confusão e a instabilidade aconteciam dentro do Palácio do Planalto.

Chega!

Chega de ameaças antes veladas e agora explícitas.

Onde estavam os senhores generais, agora tão ameaçadores, quando o atual Presidente da República decidiu colocar em risco um dos nossos maiores patrimônios naturais, a Amazônia? Onde estavam os senhores generais quando o Sr. Jair Bolsonaro agiu de forma submissa aos interesses dos EUA no mundo, colocando em risco os negócios do Brasil com nações estrangeiras? Os senhores não defendem mais a nossa soberania? Onde estavam os senhores quando o capitão do exército que nos preside, em frente a pior pandemia do século, tratou com pilhérias e desdém as ações para enfrentar a doença? Onde estavam os senhores quando o mesmo sabotou o isolamento social, provocando a morte de milhares de brasileiros? Ele dizia que era uma gripezinha e apenas oitocentas pessoas morreriam. Onde estavam os senhores que não tentaram mostrar a esse presidente inepto que ele deveria levar em conta a ciência, as orientações da OMS e a experiência dos outros países? Onde estão os senhores que assistem calados as interferências na Polícia Federal para proteger filhos e amigos do presidente e, agora, fazem de conta que não enxergam o acordo com notórios corruptos do Centrão?

Os senhores são corajosos e ácidos ao criticar os juizes do STF, (com certeza há coisas erradas por lá e a sociedade civil vem lutando contra isso e tendo êxitos ao longo dos anos) mas não se posicionaram com justiça e honestidade quando Bolsonaro traiu Sérgio Moro, que sob críticas, erros e acertos foi o responsável, junto com procuradores da república pela operação de maior sucesso na história do Brasil de combate à corrupção. Bolsonaro transferiu o COAF da pasta da Justiça para proteger o filho senador, não apoiou os projetos do Ministério da Justiça contra a corrupção, que foram enviados para o Congresso e, ainda, sancionou o juiz de garantias que, na prática, trava a luta contra os crimes de colarinho branco no Brasil. Onde estavam os generais defensores da moral e dos bons costumes?


Onde estavam os senhores generais quando o Sr. Jair Bolsonaro agiu de forma submissa aos interesses dos EUA no mundo, colocando em risco os negócios do Brasil com nações estrangeiras? Os senhores não defendem mais a nossa soberania?


Faço minhas vossas palavras com algumas alterações. “O cunho indelével da nobreza da alma humana é a justiça e o sentimento de justiça. Faltam a “generais, não todos, do Exército Brasileiro, “nobreza, decência, dignidade, honra, patriotismo e senso de justiça. Assim, trazem ao país insegurança e instabilidade, com grave risco de crise institucional com desfecho imprevisível, quiçá, na pior hipótese, guerra civil.” Uma guerra civil promovidas pelos senhores e seu governo irresponsável contra civis desarmados e pacíficos. Contra cidadãos que defendem a democracia. Uma guerra civil motivada pela provável punição de crime de responsabilidade do atual presidente militar. Motivada pela apreensão de um celular que ainda não se realizou.

Isso é ridículo. Não há nada que justifique uma ameaça como essa ou sua efetivação. Apesar do Brasil ser um país desigual onde há fome, miséria e desemprego. Apesar da corrupção e ilegalidades que permearam todos os governo brasileiros, incluindo os da ditadura militar, e antes, até os dias atuais, não há grupos ideológicos armados, guerrilhas ou atentados contra os cidadãos ou instituições do Estado Brasileiro. E espero eu, e todos os “brasileiros de bem,” pacíficos e justos, que tais eventos não aconteçam ou que, na falta, os senhores não provoquem atos como esses para justificar ações violentas contra o povo.

Por favor, não tentem criar um ambiente de insegurança e terror como fizeram durante a ditadura militar tentando jogar aquela Bomba no Rio Centro e a ordem para explodir o gasômetro no Rio de Janeiro em 12 de junho de 1968, que matariam milhares de pessoas, com o objetivo de culpar a oposição ao regime e justificar o assassinato de líderes políticos opositores à ditadura militar. Tal ato não ocorreu porque o Capitão Sérgio Miranda, herói militar e do povo brasileiro se recusou a cumprir esta ordem criminosa. Por isso foi cassado pelo AI5. Acordem senhores. O “comunismo vermelho” está derrotado no mundo. A guerra fria já acabou faz décadas. Os tempos são outros. A comunidade internacional não apoia mais facilmente esse tipo de aventura golpista.


Apesar do Brasil ser um país desigual onde há fome, miséria e desemprego. Apesar da corrupção e ilegalidades que permearam todos os governo brasileiros desde a ditadura millitar, e antes, até os dias atuais, não há grupos ideológicos armados, guerrilhas ou atentados contra os cidadãos ou instituições do Estado Brasileiro.


Os que se julgam donos do Brasil e se acham incólumes e superiores a tudo e todos, apenas porque são armados constitucionalmente para defender o Brasil e que também saboreiam comidas nobres nos rachos dos generais, que têm aposentadorias perenes e privilégios perdem o bom senso e a grandeza de generais profissionais que defendem a pátria do inimigo externo se ele aparecer, mas que no país são garantidores da ordem democrática e jamais se tornam assassinos do seu povo por interesses políticos e corporativos.

Sei que não estou sozinho. Faremos a resistência pacífica se necessário. Sem recuar, sem cair e sem temer. Não buscaremos armas. Buscaremos a luta de mobilização popular que unirá brasileiros de todas as tendências políticas por nossas liberdades democráticas, contra a corrupção, contra o crime organizado. Defenderemos as Instituições, a honra, a lei e a ordem no Brasil com o sacrifício da própria vida. Este compromisso não tem prazo de validade; milhões de brasileiros não militares têm também esta virtude e esta coragem, ad eternum.

Por fim, apesar da inoportunidade de vossa “carta de apoio” com ameaças explícitas ao povo brasileiro, acredito que Vossas Senhorias pelo posto que ocupam foram militares dedicados defendendo nosso país e cumprindo seus deveres com amor à pátria. Como brasileiro agradeço a todos o cumprimento da missão. Por isso acredito que há a possibilidade que os senhores entendam que a melhor saida para nosso país é o diálogo, o respeito às leis e à Constituição, a busca de caminhos e a união de amplos setores da sociedade para realizar ações pelo desenvolvimento, a defesa do nosso patrimônio cultural e natural, o combate à corrupção pelos meios democráticos (Todos devem se submeter às leis. Do presidente da república, passando pelos Ministro do STF, parlamentares, militares, empresários até o mais humilde cidadão) e um grande movimento pela EDUCAÇÃO, a Ciência e a tecnologia que são as maiores riquezas do mundo moderno.

Sérgio Taboada


E no café da manhã…