Crônica de Dandão: Grupo G

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Grupo G

 

Francisco Dandão – Conforme eu disse numa crônica anterior, eu preferia que o grupo do Brasil na Copa fosse o mais forte possível, com as melhores seleções dos diversos continentes. Pra mim, levando-se em conta que eu acredito nos comandados do Tite, isso faria com que times bons fossem logo eliminados.

Eu queria, por exemplo, que a gente enfrentasse já na estreia a Alemanha. Dessa forma, dava-se logo uma surra nos chucrutes, mandava pra eles uma boa sopa de repolho com joelho de porco, no jantar de depois da partida, e arrasava com a moral deles, pra fazer os caras engolirem os 7 a 1.

Ou então, que a gente enfrentasse a Holanda, para que, dessa forma, pudéssemos fazê-los calçar aqueles tamancos característicos lá deles, para desfilarem pelas ruas de Amsterdam e, como castigo maior, após a nossa vitória, dar-lhes a tarefa de soprar aqueles moinhos de vento lá deles.

Contrário às minhas pretensões, porém, nem Alemanha nem Holanda caíram no grupo do Brasil para a primeira parte da Copa do Mundo do Catar. Em vez disso, à seleção brasileira foram dadas como adversárias as seleções da Sérvia, da Suíça e de Camarões. Pra mim, um mamãozinho com açúcar!

É claro que, a essa altura, muita gente esconde o sorriso de satisfação e ensaia o discurso de que são três adversários perigosos, que precisam ser respeitados. Pra mim, esse é um discurso de falsa humildade. Se o Brasil tiver qualquer receio de um desses três, é melhor nem viajar ao Catar.

Com aquele ataque do Brasil que foi escalado nos últimos jogos das eliminatórias sul-americanas (Raphinha de um lado, Neymar mais centralizado e Vinícius Júnior na outra extremidade), quem tem que estar tremendo de medo por essas horas são os sistemas defensivos adversários.

Eu acho que os laterais da Sérvia, da Suíça e de Camarões vão ter pesadelos na véspera dos jogos contra a seleção do Brasil. Digo pesadelos para não dizer desarranjo intestinal. O Raphinha e o Vini Júnior, do jeito que estão jogando, não podem ser parados nem com armas apontadas pra eles.

E veja-se que eu nem falei no Antony, que é suplente mas que sempre entra lá pelas tantas, no lugar de um ou de outro dos citados no parágrafo anterior. O Antony tá jogando tanto que um dia desses, lá no clube dele, o holandês Ajax, ao fazer um gol de placa, foi comparado ao Cristo Redentor.

Falei, falei (ou melhor, escrevi) e não disse nada de novo. A minha ideia inicial era dissecar os três adversários do Brasil. Mas aí o texto foi me conduzindo e, de repente, acabou o minifúndio que me cabe para as mal traçadas de cada vez. No jardim da casa o mundo treme a cada semeadura!

Francisco Dandão – poeta, escritor, compositor e tricolor