Crônica de Dandão: Debutante

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Debutante

 

Francisco Dandão – Temos um debutante acreano na Copa do Brasil. Trata-se do Humaitá, clube ali das proximidades de Porto Acre, que logrou sagrar-se vice-campeão estadual de 2021. O jogo está marcado para esta quarta-feira (23 de fevereiro), no estádio Florestão, se a chuva deixar (ressalte-se de passagem).

Todo debutante costuma subir ao palco (ou à passarela, ou ao campo de jogo etc.) com uma certa dose de nervosismo. Mas, como a experiência ensina, esse nervosismo inicial se acaba tão logo o debutante se acostuma com as luzes da ribalta que incidem sobre o seu corpo. Simples assim.

Uma dificuldade adicional para o Humaitá nessa sua estreia num torneio de tanta magnitude é o fato dele precisar vencer. É que o regulamento determina que o adversário, pelo fato de ser visitante e estar melhor ranqueado, só precisa de um empatezinho para seguir adiante na competição.

Como todo mundo sabe, é mais fácil evitar do que fazer gols. O time que joga pelo empate se dá ao luxo de ficar encolhidinho na defesa e sair somente em contra-ataques. Ou seja, se aproveitar da necessidade de vencer do oponente e ficar enrolando, só esperando a chance de dar uma beliscada.

É claro que existe quem defenda que a melhor defesa é o ataque. Mas, para isso, o time que joga pelo empate tem que ter muita confiança no seu taco. Tem que acreditar que o adversário não tem tantas armas assim para ameaça-lo e que as balas inimigas são todas fabricadas com pólvora seca.

Essa necessidade de vencer do Humaitá, porém, não é a sua única dificuldade. No meu ponto de vista, o fato de o adversário vir de Brasília também pode ser um grande problema. Da capital federal, pelo que a gente vê nos noticiários rotineiros, podem emanar os odores mais pestilentos.

Não que o Brasiliense (o adversário do Humaitá) tenha alguma coisa a ver com isso. Não, nada disso. O Brasiliense é uma equipe honrada que se empenha com unhas e dentes para viabilizar as suas conquistas e merece todo o respeito. A questão é que o poder do Planalto Central é sempre suspeito.

Não fosse assim, não fosse sempre suspeito o poder que emana do Planalto Central, provavelmente hoje nós já tivéssemos a totalidade dos brasileiros vacinados contra o vírus maldito. E não tivéssemos tantas fuzis espalhados em mãos erradas. E ninguém duvidasse da circularidade da Terra.

Enfim, como diziam os romanos, alea jacta est. O Humaitá é Touro (Tourão). O Brasiliense é Jacaré. No jogo dos bichos, eu sou mais o Touro. Principalmente em campo seco. Já no caso de desabar um pé d’água na hora do jogo, aí a coisa pode ficar complicada. Que São Pedro ajude os acreanos!

Francisco Dandão – poeta, escritor, jornalista e tricolor