Itamaraty: Contagem regressiva para a saída do terraplanista Ernesto Araújo

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Donaldo e o chancelar terraplanista Ernesto Araújo, que está com os dias contados na chefia do Itamaraty – Foto: Joyce N. Boghosian / Agência O Globo

Oliver Stuenkel

Em 20 de janeiro, quando Joe Biden tomar posse como 46º presidente dos EUA, Jair Bolsonaro perderá o único aliado internacional relevante que lhe restava, deixando o Brasil ainda mais isolado. Desde que Bolsonaro assumiu a Presidência, o Brasil já sofreu um desgaste na reputação e uma perda de influência internacional inéditos, produzindo crises nas relações bilaterais com a Argentina, a China, a França e a Alemanha, parceiros estratégicos tradicionais e mercados de grande importância para produtos brasileiros.

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Em vez de articular uma estratégia sobre como o Brasil deveria se adequar às mudanças produzidas pela derrota de Trump, o assunto virou “tabu” no Itamaraty. Araújo ainda causou revolta entre democratas e a maioria dos republicanos ao chamar os invasores do Capitólio de “cidadãos de bem”. O comentário gerou a impressão de que o chanceler brasileiro mostrava apoio à tentativa de golpe e aos atos de terrorismo doméstico nos Estados Unidos. Enquanto Araújo estiver no cargo, será difícil evitar uma ruptura na relação com os EUA.

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Desde a vitória democrata, Bolsonaro e Ernesto Araújo conseguiram a façanha de piorar a situação. Na ânsia de agradar à própria base, os dois reforçaram a teoria conspiratória de fraude nas eleições presidenciais dos EUA, efetivamente questionando a legitimidade do governo Biden.

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