Crônica de Dandão: Apostas abertas

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Apostas abertas

 

Francisco Dandão – Acabou o primeiro turno do campeonato acreano 2021. Das nove equipes que começaram a disputa, quatro seguem na busca ao título. Só havia espaço na mesa do banquete para essas quatro mesmo. Às demais, resta saber o que poderá ser feito para que na próxima temporada tenham melhor sorte.

Pela ordem, se classificaram para o segundo turno o Humaitá, o Atlético, o Galvez e o Rio Branco. Nada indica que, na continuidade, essa classificação permaneça do mesmo jeito. Em futebol tudo (ou nada) pode acontecer no espaço de uma noite… Ou um dia… Ou num simples instante!

De qualquer forma, independente do que venha a acontecer, o Humaitá, a essa altura, já desponta como o grande vitorioso do ano, uma vez que a equipe de Porto Acre conquistou o direito de representar o estado na próxima Copa do Brasil, competição que enche os cofres dos que a disputam.

Chegar à Copa do Brasil é o sonho de todos os times desse imenso país, hoje dividido entre o feijão e o fuzil. Negar isso é o mesmo que afirmar que a Terra deixou de ser redonda e passou a ser plana. Ou então, garantir que remédio pra malária tem o poder de matar o coronavírus. Simples assim.

Um time do interior do país que se credencia a disputar a Copa do Brasil fatura uma grana tão boa que, no mais das vezes, dá para cobrir vários meses da sua folha de pagamento. Se passar de fase, então, aí os cofres ficam cheios de verdade. Dá para encher a burrinha e navegar em suaves ondas.

Eu sempre acho legal quando alguns valores são invertidos no campo de jogo. No caso do Humaitá, eu penso que não haveria nada melhor a ter acontecido no campeonato acreano do que a ascensão do referido time. No futebol é preciso, de vez em quando, que alguma coisa subverta a tradição.

Nesse campeonato acreano que ora caminha para o desfecho, além da ascensão do Humaitá, três antigos sacos de pancada fizeram uma competição acima das suas trajetórias. Falo do São Francisco, do Vasco da Gama e do Andirá. Todos esses andaram, aqui e ali, aprontando as suas estripulias.

A nota destoante ficou por conta do Plácido de Castro, que empatou somente um dos seus oito jogos. No restante, foi peia pra mais de metro. Não posso fazer um juízo de valor porque desconheço os motivos de o Plácido ter ido tão mal. Mas os números traduzem uma campanha muito vergonhosa.

O tempo, porém, como disse o poeta, não pode parar. O futuro dirá quem aprendeu as lições do campeonato de 2021. Esses times que ficaram de fora do returno terão alguns meses para estabelecerem um novo planejamento. Quanto ao campeão, as apostas seguem abertas sobre a mesa.

Francisco Dandão: poeta, jornalista, professor, compositor, escritor e…Tricolor