Crônica de Dandão: Refresco de tabaco

#cronica

cronica

Refresco de tabaco

 

Francisco Dandão – Meu diletíssimo amigo Antônio Augusto Martins Freire, popularmente conhecido pelo apelido de Toinho Bil, quando quer desqualificar alguma coisa, principalmente times ou jogadores de futebol, costuma usar a seguinte expressão: “Mais ruim do que refresco de tabaco!”

Na primeira vez que eu ouvi a expressão saída da boca do Toinho Bil tive um ataque de riso. Afinal, até aquele momento a frase que eu considerava mais representativa de uma situação de desqualificação de alguém ou de alguma coisa era “mais ruim do que purgante de mamona”.

Esse purgante de mamona era um laxante feito a partir das sementes do mamoeiro, muito usado antigamente quando se queria soltar um intestino preso ou, em outra hipótese, “limpar as vísceras” de alguém. Não sei se esse laxante ainda é usado hoje em dia. O que sei é que era ruim pra caramba.

Por conta de tudo isso, tão logo se encerrou o jogo dessa terça-feira entre Bolívia e Brasil, com goleada da seleção brasileira, eu bati um fio para o Toinho Bil, perguntando-lhe qual era o pior dos três: refresco de tabaco, purgante de mamona ou a pouco gloriosa seleção boliviana de futebol.

Ele me respondeu que eu só podia estar brincando ao fazer-lhe uma indagação dessa natureza e que não havia comparação entre as três alternativas. Segundo ele, a resposta era muito simples e que a tal seleção dos bolivianos ganhava fácil no requisito ruindade das outras duas opções.

Ainda tentei argumentar com o meu bom amigo, dizendo-lhe que o jogo contra o Brasil pode ter sido apenas uma jornada infeliz por parte lá dos “patrícios”, que eles nem terminaram as eliminatórias sul-americanas em último lugar, que até venceram alguns adversários, mais isso e mais aquilo.

Mas aí o Toinho Bil foi definitivo dizendo-me que essa geração do futebol boliviano é tão ruim que nem com a ajuda da altitude consegue alguma coisa e que pior do que eles somente mesmo a Venezuela, mas essa não conta porque já entra em qualquer torneio sabendo que vai ser lanterna.

Ponderei pra lá, ponderei pra cá, mas, pra falar a verdade, não encontrei argumentos para refutar a opinião do Toinho Bil. Se os bolivianos não conseguem vencer num ambiente de quase quatro mil metros acima do nível do mar, então é porque não tem reza de padre velho que os ajude.

Então é isso, meus caros amigos que tiveram a paciência de chegar até aqui neste texto meia boca de hoje. Sugiro que todos passem bem longe de refresco de tabaco, purgante de mamona e jogos da seleção boliviana. Que venha a próxima Copa do Mundo com a geração atual de meninos do Brasil!

Francisco Dandão – poeta, escritor, jornalista e tricolor